Nenhuma nacionalidade cresceu tanto em Portugal nos últimos anos como a santomense. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o número de imigrantes vindos de São Tomé e Príncipe quase quadruplicou e ultrapassa hoje as 46 mil pessoas. Num país com pouco mais de 220 mil habitantes, a dimensão da saída é particularmente expressiva.
O que leva tantos santomenses a deixar para trás um arquipélago conhecido pela natureza exuberante e por um modo de vida onde se repete a expressão “leve-leve”?
Em Julho deste ano, o jornalista Frederico Pinheiro viajou até São Tomé e Príncipe para acompanhar as eleições presidenciais. Mas, entre comícios e discursos políticos, encontrou outras histórias: a de quem acorda antes do nascer do sol para tentar ganhar o suficiente para comer e pouco mais; a dos trabalhadores informais, dos mercados e de uma população dividida entre a resignação e o desejo de partir.