Concebido como uma experiência imersiva, “O Último Reich” coloca atores e público dentro de uma grande caixa de plástico transparente, transformada num laboratório social onde se observa o funcionamento de um sistema totalitário. Neste espaço fechado e visível, a vigilância, o medo e a autocensura tornam-se parte da experiência partilhada.
A peça desenvolve-se em 15 cenas fragmentadas, autónomas e cortantes, que revelam episódios da vida quotidiana num regime autoritário. Não há heróis nem narrativa linear. Surge antes o retrato de uma sociedade dominada pelo medo, onde vizinhos espiam vizinhos, pais temem os filhos e a linguagem serve o poder.
Seis atores interpretam mais de cinquenta personagens, numa encenação que assume o pensamento brechtiano: em vez de criar ilusão naturalista, procura provocar reflexão crítica no espectador e expor os mecanismos do medo e da manipulação.
O dispositivo cénico integra ainda dois ecrãs com curtas-metragens projetadas, evocando simultaneamente a propaganda, a omnipresença dos media e o olhar permanente que observa e regista.
Mais do que uma reconstituição histórica, “O Último Reich” propõe uma reflexão contemporânea sobre como o medo se infiltra no quotidiano e como os sistemas de comunicação o amplificam.