Episódio 4: Jardim da Estrela
Poucos se lembrarão de dizer que vão ao Jardim Guerra Junqueiro, mas a placa com o nome do poeta e antigo deputado homenageia, desde 2004, a memória deste republicano convicto. É, no entanto, no reinado de Dona Maria II, que o projecto ganha forma e cores, inspirado nos jardins ingleses de estilo romântico. Passeio da Estrela foi o primeiro nome deste jardim público, inaugurado em Abril de 1852, e pensado para dotar a população de espaços com bons ares, para o divertimento e para o lazer. As imagens e as crónicas da época são testemunho das enchentes: “a partir das cinco horas já custa a andar, às cinco e meia já ninguém anda e às seis andam uns pelos pés dos outros.”
Dois séculos depois, o Jardim mais Jardim de Lisboa, como escreveu o historiador José Augusto França, continua a ser vivido e procurado, a todas as horas do dia , a todos os dias da semana. Daqui já não se avista o rio Tejo como outrora, e muitas das espécies plantadas pelos mestres jardineiros Jean Bonnard e João Francisco foram levadas por ventos e tempestades. Há fitas que sinalizam as obras de restauro – o processo de classificação como monumento nacional está em curso – seja no lago principal ou no vistoso coreto de ferro forjado que chegou a albergar uma jaula com um leão. A seu lado a imponente Ficus Macrophylla, com raízes que parecem esculturas, é uma das árvores mais fotografadas do jardim. Quem entra pelo portão virado para a Basílica da Estrela, seguindo sempre em frente, verá à sua esquerda uma das estátuas que aqui habitam. Perante a menina mulher de José Simões de Almeida damos por nós a pensar que aqui ora se desperta, ora se preguiça.