Numa altura em que assistimos ao avanço dos populismos e das derivas autoritárias um pouco por todo o mundo, e em que a ordem do dia é desinformar, torna-se urgente intervir, informar e acordar consciências. E as artes, sobretudo a música, têm um papel fundamental no esclarecimento e mobilização dos cidadãos e na persecução de ideais que nos conduzam a sociedades mais evoluídas e mais justas.
É com este mote que o Parque Urbano do Seixal se prepara para receber a 3ª edição do Festival do Maio nos dias 27 e 28 de Maio. Eis o cartaz:
27 de Maio
Bia Ferreira (Brasil)
Dillaz
Jorge Palma
28 de Maio
Luca Argel (Brasil)
Valete
Goran Bregovic (Bósnia)
O Festival do Maio é uma iniciativa da Câmara Municipal do Seixal, com direcção artística de Luís Varatojo.
Serão duas noites de espectáculos que têm como objectivo promover propostas artísticas que tenham como elemento central do seu discurso a intervenção: desde a política à crítica social, do activismo ambiental às lutas contra a discriminação de raça e género, passando pelas questões relacionadas com a defesa das identidades culturais e dos direitos à autodeterminação.
A programação assenta em dois polos fundamentais: a preservação da memória, trazendo a palco o legado histórico da música de intervenção e protesto; e as lutas actuais, dando voz a novos artistas e novos géneros musicais.
BIA FERREIRA (Brasil)
Bia Ferreira define a sua música como MMP: Música de Mulher Preta. É desde há quase uma década, uma das mais destacadas vozes brasileiras no que diz respeito à comunidade LGBTQl+, ao racismo e à xenofobia. Os seus concertos são muito mais que apenas música: são um espaço de esclarecimento, provocação, motivação e de luta por aquilo em que acredita.
DILLAZ
Dillaz é um dos artistas mais conceituados do Hip-Hop nacional, com uma identidade muito bem definida. Procura inovar a cada instante e em cada projeto a que se dedica, mostrando sempre uma dinâmica inigualável. Lançou este ano o seu segundo álbum que se intitula “Oitavo Céu” e se tem revelado um êxito nas redes digitais e junto do seu público.
JORGE PALMA
Compositor e intérprete admirado pelos colegas, amado pelo público, demasiado célebre para o papel de génio obscuro, demasiado genuíno e rebelde para ser um músico previsível e formatado. Ao longo da sua carreira, Jorge Palma lançou vários discos de originais, compôs êxitos que se tornaram hinos intemporais e somou discos de ouro e dupla platina.
LUCA ARGEL (Brasil/Portugal)
O cantor e compositor brasileiro, radicado no Porto, tem livros de poesia publicados e é autor de bandas sonoras para dança e cinema e de programas de rádio e podcasts dedicados à música brasileira. “Samba de Guerrilha” é um álbum conceptual em que traça a história política do samba, lembrando os “protagonistas esquecidos” da luta contra a ditadura militar e onde homenageia os intérpretes que tentaram fazer frente ao racismo estrutural do país. “
VALETE
É considerado um dos maiores símbolos do hip hop de língua portuguesa. As suas letras, carregadas de mensagens políticas que alertam para questões como o racismo, o colonialismo, ou a exploração capitalista, conferem-lhe uma identidade própria no meio musical nacional, sendo muitas vezes denominado como natural herdeiro de Zeca Afonso, Sérgio Godinho e outros artistas que marcaram a história da nossa música de intervenção.
GORAN BREGOVIC (Bósnia)
É um dos músicos e compositores modernos mais conhecidos dos países de língua eslava. As suas composições levam a tradição musical balcânica a extremos inovadores entre os quais se destaca a composição de bandas sonoras para filmes. Entre as mais conhecidas estão as dos três filmes de Emir Kusturica (Time of the Gypsies, Arizona Dream e Underground). Nas suas actuações aom vivo, Bregovic passa em revista os momentos mais brilhantes da carreira, sempre com uma energia contagiante e grande sentido de humor.
À semelhança da edição de 2021, serão produzidos vídeo-poemas que pontuarão os intervalos entre as actuações do palco principal, em que artistas de diferentes áreas são convidados a interpretar poemas marcantes de cunho interventivo. Este ano, contamos com a participação de José Luís Peixoto, Manuel Wiborg, Catarina Wallenstein, Ana Deus e Cátia Oliveira (A Garota Não).