Hoje vou falar do vídeo árbitro. O famoso VAR.
Para que não fiquem com dúvidas sobre a minha posição: sou totalmente a favor da sua utilização e porquê?
Pela simples razão de que a prática nos tem mostrado que, na maior parte das vezes, resolve mais problemas do que os cria.
Ou seja, na esmagadora maioria das situações, o VAR é mais parte da solução do que do problema, aliás como deve ser.
Vem isto a propósito de um estudo realizado pela associação inglesa de adeptos que revela um conjunto de resultados que nos deve, pelo menos, fazer refletir,
mesmo àqueles que, como eu, estão convencidos da extrema utilidade do vídeo árbitro.
Cerca de oito mil adeptos da Premier League, o melhor e mais seguido campeonato de futebol do planeta, responderam a um questionário e cerca de três/quartos, 75%, são contra a utilização do VAR porque piorou a experiência do jogo.
Criticam principalmente o momento do golo que ou é anulado depois dos festejos ou, então, é celebrado uns minutos mais tarde, apenas quando é confirmado pelas equipas de vídeo arbitragem.
Mais de 90% dos adeptos não aceita isto.
Quem vai ao estádio fica irritado com o tempo que as decisões demoram a ser tomadas e com o impacto que têm na eficácia e, acima de tudo, na espontaneidade do jogo.
São argumentos que fazem sentido, mas parece-me que a verdade desportiva se sobrepõe a isto.
Entre um golo fora de jogo e com possível influência no resultado e o tempo que essa decisão possa demorar a ser tomada, prefiro claramente a segunda.
Os adeptos dizem também não compreender a lógica das decisões.
Cerca de três/quartos, os tais 75%, consideram-na pouco clara e concluem que o VAR não tornou a arbitragem melhor.
Outra conclusão que não me surpreende, pela simples razão de que, atrás dos monitores, estão seres humanos, sendo que há ainda uma latitude muito grande que está entregue à interpretação de cada um deles.
Apenas a introdução da tecnologia de linha de golo merece os aplausos de mais de 90% dos adeptos.
Talvez por ser rápida e muito objetiva.
A Premier League diz entender a oposição de alguns adeptos ao VAR, principalmente aqueles que vão aos estádios, e que estão a trabalhar em formas de minimizar o seu impacto.
Já no ano passado, a maioria dos clubes noruegueses das principais competições mostrou-se favorável ao fim dos VAR, com o argumento de que o dinheiro que a federação gasta na ferramenta poderia ser canalizado para o desenvolvimento do futebol jovem.
Um assunto que parece ter caído no esquecimento, porque nunca mais se ouviu falar dele.
Tenho a certeza de que estas queixas dos adeptos não vão passar disso mesmo, de queixas, até porque o próximo mundial nos vai trazer um aumento da influência do VAR.
Os vídeos árbitros vão poder confirmar segundos cartões amarelos e também se os cantos são ou não bem assinalados.
Lá está: situações que possam impedir erros grosseiros, como nos lembramos de alguns que, esta época, já aconteceram em Portugal.
Percebo e compreendo as preocupações dos adeptos, porque, de vez em quando, sou um deles e é um aborrecimento ir ver um jogo com amigos, festejar um golo para passado um ou dois minutos ficar desiludido porque, afinal de contas, o avançado estava três ou quatro centímetros adiantado.
Tornar as decisões mais rápidas tem de ser a solução. Os juízes que estão frente aos monitores terão de ser mais lestos, não podem demorar as eternidades que, por vezes, demoram.
Também me parece uma verdade indesmentível que prefiro a defesa total e inequívoca da verdade desportiva, mesmo que lenta, à tal espontaneidade, mais rápida que depois se venha a provar que está cheia de erros que podem decidir mal quem ganha ou perde um jogo. Ou quem ganha ou perde um campeonato.
Por isso e apesar de todos os defeitos, continuo e continuarei a defender a utilidade do VAR.