Fechada a primeira mão dos quartos de final das competições europeias fico com uma sensação estranha.
Todas as equipas, por aquilo que fizeram, mereciam ter conseguido sair de Portugal com outro conforto no resultado.
Bem sei que o verbo merecer não tem uma relevância por aí além no desporto e por maioria de razão no futebol. O mesmo, já agora, se aplica ao substantivo justiça.
Na terça-feira, frente ao Arsenal, na Liga dos Campeões, o Sporting merecia, pelo menos, o empate. Fez por isso, teve oportunidades, mas não conseguiu marcar qualquer golo, ao contrário dos londrinos.
Na quarta-feira, o Sporting de Braga, frente ao Bétis, até marcou cedo, mas depois, enervou-se e consentiu o empate. Na segunda metade, fez o suficiente para sair da Pedreira com outro resultado. Merecia, é certo, mas não conseguiu marcar!
Ontem, o FC Porto, frente ao Nottingham Forest, também marcou cedo. Ofereceu um golo estranho ao adversário e depois desperdiçou oportunidades em barda. Merecia um resultado tranquilo, mas a realidade foi diferente.
As equipas portuguesas mereciam ter sido mais felizes, mas a realidade mostra que todas vão ter de fazer pela vida nos jogos da segunda mão: seja em Londres, Sevilha ou Nottingham.
Nada está perdido, apenas mais complicado!
Antes dessas decisões todas vão ter de cumprir mais uma jornada da Liga Portugal que está na fase decisiva.
Os Dragões que estão numa sequência de dois empates consecutivos, vão ao Estoril, numa deslocação, no mínimo, difícil.
Precisam de apurar a eficácia, porque em termos de construção de oportunidades e, pelo que vimos ontem, ninguém se pode queixar.
Os Leões visitam a Reboleira para o desafio com o Estrela da Amadora e vão, nesse jogo, muito importante, tentar gerir mais dois – o de quarta-feira, em Londres, com o Arsenal e, o da semana seguinte, em casa, com o Benfica. É uma tarefa, no mínimo, difícil.
Já o Benfica, depois do empate com o Casa Pia e de uma semana cheia de ruído, após as declarações, primeiro de José Mourinho e depois de Rui Costa – ainda não se percebeu, muito bem, o que ambos querem fazer a seguir – vai defrontar o Nacional da Madeira, antes da visita a Alvalade. O contexto é, no mínimo, difícil.
Há também a luta pelas competições europeias que envolve Sporting de Braga, Famalicão e Gil Vicente.
E por fim, a tal luta muitas vezes esquecida, mas tão, tão importante, por vezes para a própria sobrevivência dos clubes que é a luta pela manutenção que envolve pelo menos quatro equipas – Estrela da Amadora, Santa Clara, Nacional e Casa Pia – aquelas que estão, nesta altura, abaixo dos 30 pontos.
Difícil é mesmo a palavra certa!
Antes de fechar gostava de deixar duas notas finais:
A primeira para a escolha do árbitro João Pinheiro e da sua equipa para estarem presentes na fase final do mundial das Américas.
Ninguém chega a este nível só porque sim ou porque quer. Algum mérito e qualidade terá, e tem de certeza, senão a FIFA teria feito outra escolha.
Há doze anos que um árbitro português não estava num campeonato do mundo. O último, curiosamente, foi Pedro Proença, o atual Presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
A segunda nota vai para a equipa de andebol do Sporting que chegou, outra vez, aos quartos de final da Liga dos Campeões.
Já não há adjetivos para qualificar aquilo que os leões vão fazendo a nível internacional.
Esperamos todos que, desta vez, frente ao Aalborg, o campeão da Dinamarca, com quem já jogaram na fase de grupos, tendo ganho o jogo em casa e perdido fora, os leões consigam fazer história ao estarem presentes na final a 4, na mítica Arena de Colónia, no fim de semana de 13 e 14 de junho.
Seria a cereja no topo do bolo!