Esta manhã, quando preparava a edição de hoje do “Photo Finish”, perguntei à Inteligência Artificial qual era a definição do banho-maria.
A resposta foi pronta: é uma técnica de calor indireto usada para cozinhar de forma lenta e uniforme.
Lembrei-me disto a propósito da relação entre José Mourinho e o Benfica, uma vez que o prazo de resposta do treinador sobre se aceita ou recusa renovar com o clube da Luz termina hoje.
Com mais um ano de contrato, mas com tudo acertado com o Real Madrid assim que as eleições confirmarem Florentino Perez para mais um mandato, o setubalense vai-se fingindo de morto, ou, se quiserem, empurrando com a barriga, e, como as eleições só vão acontecer no domingo, 7 de junho, daqui por 12 dias, acho difícil José Mourinho responder antes ao Benfica.
Ontem, o candidato, Enrique Riquelme, o adversário de Florentino, colocou mais uma acha na fogueira e avisou que o treinador português não é a sua opção, qualificou-o como um penso rápido porque o futuro não passa por ele, o que ainda recomenda maior prudência.
Como é fácil de perceber o ainda técnico do Benfica vai, desta forma, cozinhando em banho-maria a atual administração da SAD, com Rui Costa à cabeça, que, sejamos claros, não sabe muito bem o que fazer, porque tem treinador, mas sabe que vai ficar sem ele e, sem ele dizer que não fica, não pode assumir um outro técnico.
Não é uma situação, nem fácil, nem confortável para ninguém. É quase como que fazer a quadratura do círculo.
É verdade que a estrutura do futebol encarnado está a trabalhar na próxima época, mal seria que isso não estivesse a acontecer, mas também não deixa de ser uma realidade que a decisão principal terá de ser a da contratação do novo treinador, porque é a partir daí que tudo o resto pode começar a ser definido, como contratações e dispensas.
Para ajudar a complicar ainda mais a vida aos encarnados, a vitória do Torrense, na Taça de Portugal, acelerou tudo e obrigou a uma antecipação do arranque da pré-temporada em uma semana, já que no dia 23 de julho começam as pré-eliminatórias da Liga Europa.
Com todas estas indefinições, com um campeonato do mundo que vai levar alguns dos principais jogadores da equipa – ainda ontem Richard Rios foi chamado pela Colômbia – e que não estarão disponíveis para os primeiros jogos. Com um calendário aparentemente terrível até ao final de agosto, com jogos de três em três dias, porque para além das competições europeias, a Liga Portugal começa a jogar-se no primeiro fim de semana desse mês, a vida não se afigura nada fácil para os lados do Estádio da Luz, nestes tempos de urgência.
Depois da vitória na Taça de Portugal e enquanto prepara o jogo mais importante da temporada, a segunda mão do play off com o Casa Pia que o pode fazer regressar à liga principal 34 anos depois, o Torrense vai fazendo contas à vida.
Até parece o Tio Patinhas, o pato mais rico do mundo que tomava banho em notas, lembram-se?
A vitória de domingo rendeu ao clube de Torres Vedras, só para começo de conversa, qualquer coisa como 5 milhões de euros.
Para além dos prémios da Taça de Portugal que devem rondar os 400 mil euros, a entrada na fase de Liga da Liga Europa valeu cerca de 4 milhões de 300 mil euros. Isto são valores por baixo, porque ainda faltam aqui juntar mais algumas parcelas.
Se na quinta-feira subirem de divisão, há ainda o contrato televisivo que pode render mais 3 milhões de euros.
Tudo junto serão 8 milhões de euros, para mais e não para menos.
Para um ano de trabalho digamos que, se tudo se confirmar, a coisa não terá corrido nada mal para o emblema de Torres Vedras.
Ganharam o Euromilhões.