O valor da coerência

O prolongamento do contrato de Rui Borges com o Sporting vai passar ao papel na sexta-feira. Nada demoveu Frederico Varandas mesmo que a realidade não seja agora a que era quando se falou pela primeira vez deste assunto.

O valor da coerência

O prolongamento do contrato de Rui Borges com o Sporting vai passar ao papel na sexta-feira. Nada demoveu Frederico Varandas mesmo que a realidade não seja agora a que era quando se falou pela primeira vez deste assunto.

O Sporting e Rui Borges vão assinar a renovação contratual, na sexta-feira, Dia do Trabalhador, às 11 horas da manhã.

É o culminar de um processo que foi assumido publicamente, pela primeira vez, por Frederico Varandas durante o debate para as eleições do clube há mais de um mês.

O técnico de Mirandela, com contrato até 2027, vai prolongar a ligação por mais uma temporada – até junho de 2028 – e vai duplicar o ordenado que passa a ser de um milhão de euros por época.

Na altura em que este assunto foi falado pela primeira vez, o Sporting estava na luta pelo título, por fazer história na Liga dos Campeões – tentava virar a eliminatória com o Bodo/Glimt para chegar aos quartos de final – e pela presença na final da Taça de Portugal.

Passado todo este tempo, a realidade é bem diferente e mostra-nos que já não vai conseguir chegar ao tricampeonato e mesmo o segundo lugar que dá acesso à Liga dos Campeões está tremido.

Fez história na Champions é verdade, mas deixou mazelas, como explicou o treinador, ontem, na antevisão do jogo com o Tondela.

Do mal o menos, conseguiram garantir a presença na final da Taça de Portugal cujo título vai ser discutido com o Torrense, a 24 de maio, no Estádio Nacional, ao Jamor.

Mesmo assim Frederico Varandas manteve toda a confiança no treinador e vai renovar-lhe o contrato.

Se há coisa que ninguém pode acusar o presidente do Sporting é de falta de coerência e coragem, pelo menos nas suas decisões sobre os treinadores.

Talvez valha a pena começar por recordar a história da contratação de Rúben Amorim ao Sporting de Braga, em 2020, a troco de 10 milhões de euros.

Era um jovem técnico sem experiência, mas que foi campeão nacional, pela primeira vez, na época seguinte, aos 35 anos de idade.

Frederico Varandas atravessou-se pela decisão do então diretor desportivo Hugo Viana que surpreendeu e motivou tantas críticas de tanta gente que não via Amorim como o homem certo. O sucesso foi quase imediato.

Em 2022/2023 o Sporting ficou no quarto lugar do campeonato, com muitos adeptos a pedirem a saída do treinador, o que foi sempre recusado pelo líder do clube.

Voltaram a festejar o título na temporada seguinte e na de 24/25 também, mas já com Rui Borges que, entretanto, sucedeu a Rúben Amorim que havia seguido para Manchester.

Também a contratação de Rui Borges ao Vitória de Guimarães não foi bem recebida por parte dos sportinguistas a quem acusavam de não ter currículo.

Nesta altura, basta frequentar as redes sociais para chegarmos à conclusão de que a cotação de Rui Borges já teve melhores dias.

Também sabemos que no futebol a passagem de bestial a besta demora um fósforo e talvez fosse normal que Frederico Varandas pudesse hesitar nesta questão do prolongamento do contrato com o treinador, porque a temporada do Sporting pode não ser de sonho.

Nada disso vai acontecer e a renovação vai mesmo passar ao papel.

Ninguém sabe o que nos reserva o futuro. Eu pelo menos não sei, mas sei que gosto de pessoas corajosas e coerentes e que não mudam de ideias ao sabor da primeira adversidade como tem acontecido com Frederico Varandas nestas questões.

Imagino que para um treinador, ter alguém assim no topo da hierarquia, é um descanso, porque lhe permite concentrar todas as suas energias naquilo que é importante, ou seja, na preparação da equipa.

O Sporting que tem mais daqui a pouco um jogo muito complicado na luta pelo segundo lugar. É o tal desafio que está em atraso com o aflitíssimo Tondela que precisa de pontos como de pão para a boca.

Um jogo que cruza a discussão pelo segundo lugar com a luta pela manutenção e quem o perder fica muito mais longe do objetivo.