Saltar para o conteúdo
    • Notícias
    • Desporto
    • Televisão
    • Rádio
    • RTP Play
    • RTP Palco
    • RTP Zig Zag
    • RTP Ensina
    • RTP Arquivos
RTP Antena 1
  • Programas
  • Podcasts
  • Vídeos
  • Música
    Nacional Internacional Fado Discos RTP Antena 1 Concertos RTP Antena 1
  • Notícias
  • Programação
  • O que já tocou
  • Outros Temas
    Cinema e Séries Cultura Política e Sociedade

NO AR
PROGRAMAÇÃO O QUE JÁ TOCOU
Imagem de Os Dias que Correm

Os Dias que Correm

Fernando Alves | 2 dez, 2024, 08:58

Seis dedos

A rubrica diária de Fernando Alves nas manhãs da Antena 1, para ouvir e ler.

Imagem de Os Dias que Correm

Os Dias que Correm

Fernando Alves | 2 dez, 2024, 08:58

Seis dedos

A rubrica diária de Fernando Alves nas manhãs da Antena 1, para ouvir e ler.

Imagem de Os Dias que Correm

Os Dias que Correm

O que guardamos dos dias. O que passando, fica. Fernando Alves na Antena 1.

Ver Programa

Vou guardar durante muito tempo a imagem de Pep Guardiola enfrentando os cânticos dos adeptos do Liverpool. Gritam-lhe que será despedido na manhã seguinte, ele sacode as feridas de seis derrotas em sete jogos e ergue para os seus carrascos de ocasião as mãos ambas: os cinco dedos de uma e o indicador de outra. Ergue no relvado de Anfield seis dedos e nisso não expressa uma contricção, mas o orgulho de ter triunfado em seis campeonatos da Premier League, cumprindo o destino que, há muitos anos, Kryuff lhe traçara.

Guardiola escreve com os dedos ao alto o número 6 em pleno campo de batalha, sacudindo o peso de uma nova derrota.
Os numerologistas explicam que o seis é o algarismo do equilíbrio e da harmonia, da tolerância e da inteligência. Um abracadabra para chegar ao topo do mundo. Mas essas não são as suas contas.

Guardiola já está no topo do mundo, sacudindo o pó da batalha. Talvez ele (que na Alemanha chegou a recitar aos jogadores do Bayern poemas do seu compatriota Miquel Martí i Pol) procure agora um verso secreto, um tiki-taka cantante, o poema que se ajuste à sua solidão. “Enquanto puderes, não desperdices a tua solidão / dedicando-a a uma absurda busca do nada/ nem te persigas obsessivamente por escuros corredores”.

É aquele poema de Miquel Martí i Pol que o desafia a olhar as coisas difíceis. “Considera que o jogo desmedido das palavras / não te servirá de nada / se não te apoiares naquilo que te rodeia”.

Guardiola, em Anfield, está rodeado por cânticos adversos e por seis dedos das suas mãos ambas ao alto.

Não consigo lembrar-me do contexto em que já não sei quem explicava que precisamos de seis contactos para chegarmos a qualquer pessoa do mundo. Se eu soubesse de quem soubesse de quem soubesse de quem soubesse de quem soubesse como chegar a Bernardo Silva lhe pediria que fizesse chegar a Guardiola, ao semideus do futebol e amante de poesia agora ferido em combate, uns versos de um poeta português que ele talvez não conheça, um sereno poeta discreto como Messi, mas sabedor de magias que escapam aos numerologistas. Chama-se Jaime Rocha, andou pelos jornais com o nome limpo e honrado de Rui Ferreira e Sousa. E são dele estes versos, estes versos finais de um poema que aqui deixo ao cuidado de quem os pudesse levar a Guardiola: “Ah se tivéssemos seis dedos eramos/ capazes de voar. / Seis dedos em cada mão, apenas seis dedos / para abraçar a terra”.

Texto e programa de Fernando Alves
Os Dias que Correm

Pode também gostar

Imagem de Não estive no funeral a que não podia ter faltado

Não estive no funeral a que não podia ter faltado

Imagem de Se não fosse uma cómoda de pau santo, Miguel e Paulo Portas nunca teriam nascido

Se não fosse uma cómoda de pau santo, Miguel e Paulo Portas nunca teriam nascido

Imagem de O único gato no mundo com um doutoramento

O único gato no mundo com um doutoramento

Imagem de Um dia teremos saudades de Marcelo

Um dia teremos saudades de Marcelo

Imagem de Harvard

Harvard

Imagem de A Europa

A Europa

Imagem de Há portas que se abrem para um Irão sem uma ditadura teocrática

Há portas que se abrem para um Irão sem uma ditadura teocrática

Imagem de José Mourinho “fugiu” do funeral de Artur Jorge e “escondeu-se” como se fosse criança

José Mourinho “fugiu” do funeral de Artur Jorge e “escondeu-se” como se fosse criança

Imagem de O lugar onde reencontrei o meu pai e um homem que não conheci

O lugar onde reencontrei o meu pai e um homem que não conheci

Imagem de As eleições presidenciais (deste domingo na Polónia)

As eleições presidenciais (deste domingo na Polónia)

PUB

Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

  • Aceder ao Facebook da RTP Antena 1
  • Aceder ao Instagram da RTP Antena 1
  • Aceder ao YouTube da RTP Antena 1

Instale a aplicação RTP Play

  • Apple Store
  • Google Play
  • Contactos
  • Frequências
  • Programas
  • Podcasts
Logo RTP RTP
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube
  • flickr
    • NOTÍCIAS
    • DESPORTO
    • TELEVISÃO
    • RÁDIO
    • RTP ARQUIVOS
    • RTP Ensina
    • RTP PLAY
      • EM DIRETO
      • REVER PROGRAMAS
    • CONCURSOS
      • Perguntas frequentes
      • Contactos
    • CONTACTOS
    • Provedora do Telespectador
    • Provedora do Ouvinte
    • ACESSIBILIDADES
    • Satélites
    • A EMPRESA
    • CONSELHO GERAL INDEPENDENTE
    • CONSELHO DE OPINIÃO
    • CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO E TELEVISÃO
    • RGPD
      • Gestão das definições de Cookies
Política de Privacidade | Política de Cookies | Termos e Condições | Publicidade
© RTP, Rádio e Televisão de Portugal 2026