Sem meiguices

Frederico Varandas não foi meigo com os jogadores a quem acusou falta de atitude. Quase 72 horas depois do jogo do Jamor, estas mensagens foram muito pensadas e refletidas, desengane-se quem pensa o contrário.

Sem meiguices

Frederico Varandas não foi meigo com os jogadores a quem acusou falta de atitude. Quase 72 horas depois do jogo do Jamor, estas mensagens foram muito pensadas e refletidas, desengane-se quem pensa o contrário.

Ontem, praticamente ao mesmo tempo em que aqui no “Photo Finish” criticava o silêncio de Frederico Varandas, o presidente do Sporting comentava a derrota na final da Taça de Portugal.

Quase três dias depois de ter perdido o troféu para o Torrense, o presidente leonino atirou-se aos jogadores com uma violência que me surpreendeu.

Lembro que demorou quase 72 horas a falar sobre o que se passou, o que significa que aquilo que disse, ontem, foi pensado e refletido, não foi fruto de um qualquer impulso, logo a seguir a um resultado menos conseguido, como tantas vezes acontece.

Frases como: “O Sporting perdeu porque não competiu e não teve a atitude de quem quer ganhar um troféu.” Ou “queremos jogadores que queiram jogar a Champions e o Mundial, mas que tenham a mesma ambição e empenho a jogar competições internas, nomeadamente contra equipas de escalões inferiores,” tinham um objetivo e destinatários evidentes.

Aliás, o presidente leonino foi ainda mais longe ao deixar um recado quando afirmou que “para além dos objetivos pessoais, o principal foco tem de ser ganhar pela entidade que lhes paga o ordenado.”

Quando disse que tudo isto me surpreendeu é porque estava à espera de que Frederico Varandas adotasse

um discurso mais conciliatório, mais institucional, mais presidencial, até porque já tinham passado três dias, e não um discurso muito semelhante ao que qualquer adepto faria.

Para quem frequentou as redes sociais, após o jogo de domingo, não viu afirmações muito diferentes destas feitas por adeptos mais ou menos conhecidos.

Quem estuda o fenómeno da comunicação sabe perfeitamente a diferença entre a comunicação externa e a comunicação interna.

Uma tem por objetivo interagir com quem está fora da instituição, neste caso com os sócios e adeptos do clube.

A outra com quem lá trabalha, com os jogadores, técnicos e staff.

Costumam ter estratégias diferentes, mas, neste caso, a estratégia foi a mesma: criticar os jogadores.

Por um lado, Frederico Varandas colocou-se ao lado dos adeptos.

Por outro, explicou aos jogadores, até de forma bem direta, que terão, sempre, de colocar o coletivo acima

do individual, porque quem lhes paga o ordenado, o clube, está à espera de que ganhem títulos, principalmente frente a equipas de outros escalões.

Fiquei surpreendido, porque não estamos habituados a que um líder vá tão longe quando critica os seus jogadores ou funcionários em público. Em privado, no recanto dos gabinetes, já vi e ouvi coisas muito piores.

Acredito que se estivéssemos no meio da temporada talvez a abordagem fosse diferente, mas como estamos no final, nada como sinalizar o que não pode voltar a acontecer.

É preciso não esquecer que, como expliquei ontem, este é um plantel em reconstrução e assim já sabem com o que podem contar.

Por falar em reconstrução, no outro lado da 2ª circular, Benfica e Real Madrid já falam, com a mediação do sempre presente Jorge Mendes que para além de empresário de José Mourinho é igualmente o representante de Marco Silva.

Os encarnados já sabem que vão receber cerca de 15 milhões de euros pela saída do setubalense e que podem começar a tratar do novo técnico, o que é uma boa notícia.

Já que por causa da vitória do Torrense na Taça de Portugal, a época vai começar mais cedo do que todos esperavam e o tempo escasseia.

Os de Torres Vedras que foram os responsáveis por todos este pequeno terramoto que assolou os leões e, embora de outra forma, também as águias.

O Torrense que, hoje à noite, vai discutir com o Casa Pia a última vaga na Liga Portugal da próxima temporada.

Ganhe quem ganhar é quase certo que vai continuar a jogar em Rio Maior, o que não deixa de ser curioso.