José Mourinho e Rui Borges foram unânimes ao darem os parabéns ao FC Porto.
Ambos os treinadores realçaram o mérito da conquista azul e branca porque foi a equipa mais regular ao longo da época.
Que mais se pode dizer de uma formação que liderou o campeonato do princípio ao fim e que nunca se deixou surpreender pela concorrência?
Foi a melhor e a mais forte e, por isso, é um justo campeão nacional.
Quem quiser fazer a história deste título número 31 dos Dragões, terá, obrigatoriamente, de recuar ao mês de janeiro do ano passado e às vendas de Galeno para a Arábia Saudita, e de Nico Gonzalez para Inglaterra.
A equipa diretiva de André Vilas Boas encaixou cerca de 110 milhões de euros, e, com esse dinheiro, começou a preparar a temporada 25/26.
A época 24/25, que estava a meio, seria como que uma espécie de ano zero que acabou por não correr nada bem.
O FC Porto, com o argentino Martín Anselmi que havia substituído o português Vitor Bruno, ficou no terceiro lugar da Liga Portugal – fora da Liga dos Campeões – sendo que a passagem pelo Mundial de Clubes foi uma catástrofe.
Na construção da nova época, os responsáveis pelos Dragões começaram por ir em busca de um treinador e escolheram Francesco Farioli, o jovem italiano de 36 anos, por quem metade do futebol europeu andava apaixonado, mesmo que tenha perdido o campeonato dos Países Baixos, ao serviço do Ajax, da forma que foi.
A seguir lançou-se desenfreadamente no mercado em busca de jogadores que pudessem interpretar as ideias do novo treinador.
Ao todo chegaram 15 jogadores, sendo que a SAD despachou, entre empréstimos e vendas, cerca de 20 atletas.
Desses quinze, oito estão entre os mais utilizados da temporada, o que confirma a mudança profunda do que foi feito de uma temporada para outra.
Com a máquina montada e a carburar, este novo FC Porto entrou de prego a fundo, a surpreender tudo e todos, tendo conseguido nove vitórias consecutivas em todas as competições.
Perde, pela primeira vez, no final de outubro na Liga Europa, com o Nottingham Forest. É derrotado, em casa, pelo Vitória de Guimarães para a Taça da Liga, no início de dezembro, e depois volta a fazer mais uma sequência de nove vitórias consecutivas, até perder, outra vez, em fevereiro, para o campeonato – a única derrota até agora nessa prova – com o Casa Pia.
Já na fase final da temporada, na mesma semana, são eliminados da Liga Europa, nos quartos de final, e da Taça de Portugal, nas meias-finais.
Mesmo assim, nunca perderam de vista o grande objetivo da época que era a reconquista do campeonato que garantiram, no sábado à noite, ao derrotarem o Alverca, por 1-0.
Uma equipa que, para além da derrota com o Casa Pia, só perdeu pontos com Sporting, Famalicão e Benfica, nos dois jogos, que ainda pode repetir a proeza de chegar aos 91 pontos, o máximo já conquistado por uma equipa, no caso os Dragões de Sérgio Conceição, em 2021/2022, só podia acabar campeã.
Uma equipa que não teve o melhor ataque da prova e percebe-se porquê, já que perdeu os dois avançados titulares – Luuk de Jong lesionou-se, no final de novembro, e Samu, no início de fevereiro – mas que compensou isso com uma defesa de betão que sofreu apenas 15 golos, deixando a concorrência muito longe.
Nunca a ideia de que os ataques marcam golos, mas as defesas é que ganham os campeonatos fez tanto sentido.
Um FC Porto que começou a reconstrução em janeiro do ano passado que volta, agora, aos títulos e que tem uma proposta de jogo muito física, pressionante e veloz.
É, sem dúvida, o tal ADN Porto que parece estar de volta e que se achava perdido, agora pelas mãos de André Vilas Boas, o presidente campeão que já foi treinador campeão.