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Imagem de Bandidos do Cante vencem o Festival da Canção 2026
Os Bandidos do Cante ostentam o troféu do Festival da Canção 2026.
Música 8 mar, 2026, 02:41

Bandidos do Cante vencem o Festival da Canção 2026

"Rosa" vai representar Portugal em Viena, na Eurovisão. A Antena 1 resume tudo o que aconteceu nesta noite.

Imagem de Bandidos do Cante vencem o Festival da Canção 2026
Música 8 mar, 2026, 02:41

Bandidos do Cante vencem o Festival da Canção 2026

"Rosa" vai representar Portugal em Viena, na Eurovisão. A Antena 1 resume tudo o que aconteceu nesta noite.

“Rosa”, dos alentejanos Bandidos do Cante, é a música vencedora do 60.º Festival da Canção. A decisão teve lugar na final deste sábado (7 março) – dia do 69.º aniversário da RTP – apresentada por Filomena Cautela, Vasco Palmeirim, Alexandre Guimarães e Catarina Maia.

“Fizemos isto com um objetivo: levar mais longe o nosso cante e as nossas tradições, que ouvimos desde miúdos, com os nossos avós e os nossos pais”, disse Francisco Raposo, um dos Bandidos, no pós-show da Antena 1. “Sair vitorioso do Festival é o nosso maior orgulho, é algo para contar aos nossos filhos e aos nossos netos”, continuou o colega Francisco Pestana, “com o coração na boca” no rescaldo da vitória: “Chegar a este palco e ter este troféu é um orgulho enorme e quero também dar uma palavrinha a toda a malta do Alentejo”.

A Antena 1, rádio oficial do Festival, acompanhou a noite com a transmissão integral da cerimónia, numa emissão especial conduzida por Noémia Gonçalves, com reportagem de Andreia Rocha e comentários de A Cantadeira (Joana Negrão, participante na edição de 2025). Reagindo em direto, Joana Negrão salientou o poder comunicativo de “levar à Eurovisão uma proposta enraizada na nossa cultura”: focando não o fado, mas outro Património Imaterial da UNESCO, o cante alentejano.

Imagem de Festival da Canção 2026: todas as atuações da final

Festival da Canção 2026: todas as atuações da final

Veja as performances dos dez finalistas.

SABER MAIS

A passagem de testemunho dos NAPA

Após um 2025 triunfante, os pesos-pesados NAPA regressaram ao Festival da Canção. Com o tema vencedor de 2025, “Deslocado”, acumulam dois grandes títulos: dentro dessa safra eurovisiva, foi a canção mais ouvida nas plataformas de streaming, e tornou-se também a mais escutada em toda a história do Festival da Canção. O rajão e a braguinha madeirenses deram o mote para esta versão de “Deslocado”, inicialmente acústica, antes de se revelar na força completa do arranjo já conhecido.

O troféu transitou dos NAPA para os Bandidos do Cante, do sotaque madeirense para o sotaque alentejano. Para o vocalista e guitarrista Guilherme Gomes, trata-se do “fechar de um ciclo, [o culminar] deste ano mirabolante que tivemos” – incluindo, no passado mês de janeiro, concertos nos Coliseus, e em breve um novo álbum. “Foi um prazer enorme fazer parte da história deste festival, e seguimos de cabeça erguida por termos feito um bom trabalho e entregar esse testemunho.” (O pianista Lourenço Gomes integrou a emissão especial da Antena 1 na segunda semifinal do Festival da Canção.)

Ontem, hoje e amanhã no Festival

Empunhando o microfone da Antena 1 nos estúdios da Valentim de Carvalho, Andreia Rocha entrevistou várias das figuras determinantes do concurso (apesar de não ter chegado à fala com o Batman e o Flash que dançavam na plateia).

Nuno Galopim caracterizou esta edição como a prova de que “ao fim de 60 anos, este formato está vivo e consegue retratar o que é a música portuguesa.” Nas palavras do consultor da RTP para o Festival, “promove a criatividade no prime time da televisão, mas não se limita a isso: as composições que aqui nascem tem uma vida posterior ao programa, tocam na rádio, entram nas nossas vidas, ajudam a construir uma memória coletiva. Esse é o corolário de não só três programas, mas muitos meses de trabalho.”

“São muitos dias, muitas semanas a preparar isto até muito tarde”, resume Alexandre Guimarães, um dos apresentadores do Festival e uma das vozes das manhãs na Antena 3, “desde o café antes da reunião de alinhamento, até entrar em direto para a RTP1. Não há um momento que me faça repensar. É um privilégio estar no programa de entretenimento mais antigo da televisão portuguesa, e dividir planos com Catarina Maia, amiga minha da rádio, com o Vasco Palmeirim e a Filomena Cautela.

Gonçalo Madail, atual diretor de programas da RTP2 e coordenador do Festival até ao ano passado, confessou a estranheza de “não pôr as mãos na massa”, mas aproveitou a oportunidade de sentir que “o festival ainda mexe com o público”, de um jeito quase “desportivo”: “Ouvir os comentários, as ansiedades, o sofrimento, as críticas, as revoltas, algumas pessoas indignadas.”

Da caixa mágica para a aparelhagem

Até ao último momento, o Festival da Canção desdobrou-se entre a televisão, a radiodifusão e o online: além das emissões especiais e dos conteúdos para redes sociais, a Antena 1 é a anfitriã do podcast oficial do concurso, “Falar pelos Dois”, apresentado por Andreia Rocha e Bernardo Pereira.

“Não consigo distanciar-me”, admitiu A Cantadeira no pós-show da Antena 1, recordando a sua participação em 2025 com o tema “Responso à Mulher”. “Sinto um misto de ansiedade e excitação, a adrenalina que a final deve acarretar para cada concorrente.” A propósito da final, concordou com Noémia Gonçalves sobre a evolução das atuações desde as primeiras semifinais: “É produto da repetição e do pensamento, de aprimorar as performances, apesar dos nervos acrescidos na final”, discutindo o exemplo de Evaya e do que Noémia Gonçalves designou “um videoclip realizado ao vivo”.

Finda “a tensão no estúdio” e dispensada a calculadora para somar os pontos na tabela, ficou uma edição marcada por “cante, pop, música com ascendência latina, eletrónica, houve de tudo. É a variedade que nos define”, resumiu A Cantadeira, “e o Festival da Canção permanece uma mostra da diversidade da música portuguesa.”

Teletransporte direto até 1986

O grupo Throes + the Shine encabeçou um tributo à pop internacional de 1986, com uma panóplia de convidados. Selma Uamusse irrompeu pelo palco a entoar o clássico do hip hop “Push It” das Salt-n-Pepa, seguindo-se Catarina Salinas, vocalista dos Best Youth, para uma versão acelerada do incontornável “Kiss” de Prince.

“Esse ritmo está doce, mas acho que o people quer mais melaço”, disse o vocalista Mob Dedaldino, um chamamento para Samuel Úria, que se lançou na malha de guitarra de “Walk This Way”, mítico duelo entre os Aerosmith e os Run-D.M.C., seguido de “Fight for Your Right” de Beastie Boys.

A este mesmo supergrupo concebido especialmente para o Festival da Canção, competiu uma segunda função: recuperar a produção nacional de há 40 anos. Na voz de Uamusse, uma remistura eletrónica de “Fizeram os Dias Assim” do Trovante. Dedaldino, Salinas e Úria uniram-se para “Fado” da Resistência, antes de uma reinterpretação de “Efetivamente” dos GNR. O medley culminou com “Não Sejas Mau para Mim”, canção com que Dora representou Portugal na Eurovisão de 1986, na Noruega.

Bandidos do Cante interpretam "Rosa"
João Ribeiro interpreta "Canção do Querer"
André Amaro interpreta "Dá-me a Tua Mão"
Gonçalo Gomes interpreta "Doce Ilusão"
Os Marquise interpretam "Chuva"
EVAYA interpreta "Sprint"
Sandrino interpreta "Disposto a Tudo"
Os Nunca Mates o Mandarim interpretam "Fumo"
Silvana Peres interpreta "Não Tem Fim"
Dinis Mota interpreta "Jurei"
Texto de Pedro João Santos e fotografias de Pedro Pina
Festival da Canção Festival da Canção 2026

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