
Capa de “B” (2026), álbum dos Cara de Espelho.
Depois de “Cara de Espelho” (2024), álbum que revelou uma das propostas mais singulares da nova música portuguesa, a banda apresenta agora “B”, um disco que aprofunda o seu universo criativo e confirma a centralidade da palavra como motor da canção.
O título, simples e sugestivo, convoca a ideia de “lado B”: não como espaço menor, mas como território onde se revelam outras camadas do discurso. Em “B”, Cara de Espelho recorrem à ironia como ferramenta e constroem canções que observam comportamentos, discursos e contradições do quotidiano, sem slogans nem moralismos, preferindo mostrar e sugerir.
As letras, assinadas por Pedro da Silva Martins, percorrem um alinhamento coeso onde cada tema funciona como fragmento de um mesmo retrato, cruzando sátira, humor negro e observação social. Musicalmente, o disco expande a linguagem da banda, cruzando instrumentos tradicionais, experimentação tímbrica e eletrónica discreta, numa abordagem moldada pela forte relação de palco construída ao longo da digressão do primeiro álbum.