Canção n.º 1: Dinis Mota, “Jurei” (apurada para a final)
As palmas do flamenco, os sopros pujantes e as guitarras – acústica e elétrica – festejam com a voz do aveirense Dinis Mota. Para este retrato de uma relação impossível, de vontades incompatíveis, uma encenação de cabaré: cortinas vermelhas, bailarinas de branco, vocalista e instrumentistas vestidos a preceito.
Canção n.º 2: Nunca Mates o Mandarim, “Fumo” (apurada para o final)
Nem uma máquina de fumo e duas bebidas recusadas: a performance dos Nunca Mates o Mandarim, tingida a azul, foi decididamente simples.
João Amorim, João Campello e Manuel Dinis compactam em três minutos de rock dócil uma série de inquietações: o desabafo de alguém exaurido pelas condições de vida; a nostalgia tornada possível pelo apagamento da história; os vícios e os grilhões da internet.
Canção n.º 3: EVAYA, “Sprint” (apurada para a final)
Desta feita, a música de EVAYA – nome artístico de Beatriz Bronze – é mais ansiosa do que experimental. Os sintetizadores típicos da artista natural de Poceirão estão ao serviço não de uma desconstrução musical futurista, mas de uma pop entre a balada e o grito de Ipiranga. A performance, adiada para o fim do alinhamento devido a um problema técnico, teve algo de hipnótico nos seus efeitos e na sua economia, contando com uma estrutura em forma de caracol, construída pelo pai da cantautora.
Canção n.º 4: André Amaro, “Dá-me a tua mão” (apurada para a final)
André Amaro abdica das metáforas e dos floreados para fazer esta ode ao companheirismo em jeito de balada: o músico do grupo Sangre Ibérico assumiu-se de peito feito, numa atuação sem adornos, tirando ser rodeado por seis bombos em meia-lua.
Canção n.º 5: Bateu Matou, “Nos Teus Olhos”
A percussão esteve em primeiro plano na proposta dos autodescritivos Bateu Matou, supergrupo de Ivo Costa, Quim Albergaria e Riot (Rui Pité). Figurinos brancos com inscrições pretas, pupilas dilatadas perante a batida, e uma promessa de fidelidade incondicional.
Canção n.º 6: Marquise, “Chuva” (apurada para a final)
Música e imagem estiveram em total consonância para este tributo ao grunge: a proporção 4:3, a tipografia, os efeitos na montagem, a luz e as sobreposições de planos, como se Mafalda Rodrigues, Miguel Azevedo, Miguel Pereira e Matias Ferreira não tivessem estado no Festival da Canção de 2026, mas apenas resgatado uma cassete perdida de Betamax.
Canção n.º 7: AGRIDOCE, “Onde Quero Estar”
Há quanto tempo não víamos uma girl band no Festival da Canção? Margarida Castanheira, Joana Banza e Sofia Jorge são as três integrantes deste trio em tons de cinza – espelhadas por outras tantas bailarinas – que nos entregou pop açucarada com harmonias vocais a piscar o olho ao R&B.
Canção n.º 8: Mário Marta, “Pertencer”
A celebração de Mário Marta, cantor e compositor de origem cabo-verdiana e guineense, foi expansiva e dominou todo o palco. “Cumprir o meu viver” é o mote deste concorrente, coadjuvado por quatro bailarinos.