Canção n.º 1: Bandidos do Cante, “Rosa”
Começando a capella, depois acompanhados pela guitarra, os Banidos do Cante trouxeram a tradição do Alentejo aos estúdios da Valentim de Carvalho.
Canção n.º 2: João Ribeiro, “Canção do Querer”
Uma canção sobre a esperança na humanidade com composição de Cristina Branco e voz de João Ribeiro. A baladona é minimalista, como o cenário, paralelo ao da canção: os violinos, teclas, o trompete, e o timbre sussurrado de João, e arranjos de Luís Figueiredo, responsável pela orquestração de “Amar Pelos Dois”.
Canção n.º 3: André Amaro, “Dá-me a Tua Mão”
André Amaro abdica das metáforas e dos floreados para fazer esta ode ao companheirismo em jeito de balada: o músico do grupo Sangre Ibérico assumiu-se de peito feito, numa atuação sem adornos, tirando ser rodeado por seis bombos em meia-lua.
Canção n.º 4: Gonçalo Gomes, “Doce Ilusão”
O antigo concorrente do “The Voice Portugal” trouxe-nos uma “Doce Ilusão”. Com quatro arlequins e um Batman na claque, o apurado pelo voto do público na 2.ª semifinal deu um twist à balada com que tentou a sua sorte.
Canção n.º 5: Marquise, “Chuva”
Música e imagem estiveram em total consonância para este tributo ao grunge: a proporção 4:3, a tipografia, os efeitos na montagem, a luz e as sobreposições de planos, como se Mafalda Rodrigues, Miguel Azevedo, Miguel Pereira e Matias Ferreira não tivessem estado no Festival da Canção de 2026, mas apenas resgatado uma cassete perdida de Betamax.
Canção n.º 6: EVAYA, “Sprint”
Desta feita, a música de EVAYA – nome artístico de Beatriz Bronze – é mais ansiosa do que experimental. Os sintetizadores típicos da artista natural de Poceirão estão ao serviço não de uma desconstrução musical futurista, mas de uma pop entre a balada e o grito de Ipiranga. A performance, adiada para o fim do alinhamento devido a um problema técnico, teve algo de hipnótico nos seus efeitos e na sua economia, contando com uma estrutura em forma de caracol, construída pelo pai da cantautora.
Canção n.º 7: Sandrino, “Disposto a Tudo”
“Alegre, leve e divertida”: é assim que Sandrino caracteriza a sua canção de bossa nova cantada com o gingado luso. Na cenografia, as palmeiras tropicais do país “onde canta o sabiá”.
Canção n.º 8: Nunca Mates o Mandarim, “Fumo”
João Amorim, João Campello e Manuel Dinis compactam em três minutos de rock dócil uma série de inquietações: o desabafo de alguém exaurido pelas condições de vida; a nostalgia tornada possível pelo apagamento da história; os vícios e os grilhões da internet.
Canção n.º 9: Silvana Peres, “Não Tem Fim”
De maõs atadas. É assim que Silvana Peres sobe a palco para dar voz à ode feminista composta por Rita Dias. Com o tule encarnado à volta, representativo das “feridas que as mulheres carregam”, e mais nada à sua volta, canta, empoderada: “O meu destino, aguardem, é feminino”.
Canção n.º 10: Dinis Mota, “Jurei”
As palmas do flamenco, os sopros pujantes e as guitarras – acústica e elétrica – festejam com a voz do aveirense Dinis Mota. Para este retrato de uma relação impossível, de vontades incompatíveis, uma encenação de cabaré: cortinas vermelhas, bailarinas de branco, vocalista e instrumentistas vestidos a preceito.