Na noite deste sábado (28) foram apurados a segunda ronda de finalistas do Festival da Canção 2026. Aos finalistas da primeira semifinal juntam-se Silvana Peres, Bandidos do Cante, João Ribeiro, Sandrino, e Gonçalo Gomes (escolhido exclusivamente pelo público), que avançam para a final de 7 de março, onde vão disputar uma ida à Eurovisão de 2026, em Viena. Para trás, ficaram Francisco Fontes, Jacaréu e Ana Margarida e Inês Sousa.
O televoto e o voto online asseguraram o lugar a Gonçalo Gomes na gala de 7 de março. Anunciada por último, “Doce Ilusão” foi a preferida do público.
“É muito especial ser escolhido pelo público, vou dar o meu melhor na final”, garantiu o músico de 21 anos, que revelou à Antena 1, que o nervosismo dos ensaios não tiveram hipótese nesta semifinal: “a adrenalina ajuda. Os primeiros ensaios não correram como eu queria, mas uma boa noite de sono resolve tudo” — e resolve mesmo, não fosse Gonçalo Gomes o escolhido pelo voto do público.
Quem também conseguiu levar todo o seu vigor para o palco foi Sandrino, músico de Loulé responsável pela bossa-nova com sotaque luso, “Disposto a Tudo”: “quero manter a energia de hoje; tudo o que vier é bónus”.
Andreia Rocha, a nossa repórter nos estúdios da Valentim de Carvalho, falou ainda com Os Bandidos do Cante, intérpretes de “Rosa”, que levantaram a bandeira do cante alentejano no palco do Festival da Canção. “O Bairro das Flores vai ficar ainda mais florido no dia 7 de março. Poder levar tudo aquilo que temos no peito, o nosso Alentejo, a nossa cultura, à final, é um grande privilégio”.
Privilégio é um sentimento partilhado por vários dos intérpretes que passaram nesta segunda semifinal: João Ribeiro, intérprete de “Foi Só Querer”, confessou que não estava “nada à espera”. “Não tenho um excesso de confiança, vim só para surfar a onda. Fingi que reagi de forma calma para as câmaras, mas fiquei muito emocionado assim que ela parou de me filmar.”
O baterista, ligado ao mundo do jazz, emprestou a sua voz à música de Cristina Branco e com arranjos de Luís Figueiredo, responsável pela orquestração de “Amar Pelos Dois”. Durante a emissão televisiva, a fadista referiu que o o nome de João Ribeiro foi o primeiro e único a passar-lhe pela cabeça no momento do convite para compor para o Festival. Quanto à final, João prefere manter tudo como está: “não quero distrações!”, brincou, em conversa com a Antena 1.
Ainda no universo do fado, Silva Peres, interpréte de “Não Tem Fim”, destaca o papel do Festival da Canção enquanto “montra de talentos” nacionais: “Acaba por mostrar vários estilos, vários artistas e esse é que é o propósito — mais ainda que passar à final.”
Rita Dias, que, em 2018, participou no Festival da Canção, com a canção “Com Gosto Amigo”, regressou enquanto compositora desta ode à emancipação feminina: “tenho uma alegria e gratidão muito grande por termos passado com uma canção que diz tanto às mulheres”.
A televisão na rádio: o pós-show na Antena 1
No pós-show da Antena 1, Noémia Gonçalves recebeu Joana Negrão, A Cantadeira (participante na edição do ano passado), e Lourenço Gomes, membro dos NAPA, vecendores que representaram Portugal em Basileira em 2025). Ambos destacaram a experiência do Festival como extremamente positiva: “o que mais levámos connosco foi a camaradagem”, diz um dos autores da “Deslocado”.
Sobre a final do próximo sábado, ambos os artistas concordam que “será uma noite eclética, sem vencedor claro, e com grandes surpresas.”, reflete A Cantadeira; Lourenço Gomes concorda que “não há um vencedor óbvio” e relembra que, “muitas vezes, os concorrentes mais mediáticos nem sempre passam à final.”
Na televisão, foi Filomena Cautela a responsável por conduzir a emissão deste sábado, que contou, novamente, com Alexandre Guimarães e Catarina Maia na Green Room. Entre a televisão, a radiodifusão e o online, o Festival da Canção mantém-se uma operação todo-o-terreno, com o pós-show da Antena 1, rádio oficial do Festival da Canção, com reportagem de Andreia Rocha – que também apresenta o podcast deste evento, “Falar pelos Dois”, ao lado de Bernardo Pereira.
Sobre a segunda semifinal desta 60.ª edição, Nuno Galopim, consultor da RTP para o Festival, destacou as atuações de Edmundo Inácio e Tatanka, responsáveis pelas homenagens da noite: “Quisemos trazer o Edmundo para um universo que tem muito a ver com as raízes da sua identidade”. O músico natural de Portimão apresentou uma versão de “Menina Do Alto Da Serra”, representante portuguesa no Festival Eurovisão da Canção de 1971. “Assim como a Tonicha, ele vai às raízes e traz-nos modernidade que não se esgota na música, há todo um trabalho coreográfico que também conta”.
Já Tatanka, com acompanhamento das míticas Patrícia Antunes e Patrícia Silveira, trouxe uma versão de “Ele e Ela”, canção interpretada por Madalena Iglésias. Vincada no funk e no rock, com cenários que remetem ao psicadelismo dessa década, a versão de Tatanka reforça que “as canções que entraram na nossa memória coletiva ganham, através destas versões, uma nova punção”, sublinhou Nuno Galopim.
O Festival da Canção faz, tanto na RTP1 como na Antena 1, a sua última paragem a 7 de março, para a Grande Final.