A partir desta semana, Nuno Galopim apresenta um novo programa na Antena 1. “33 RPM (Rotações por Minuto)” é a nova proposta da rádio pública: de quinta para sexta-feira, após as notícias da meia-noite. O formato substituto de “Gira Discos” conta a história de discos marcantes, assinalada em datas redondas. Grandes clássicos da história popular, revistos no quadro dos percursos dos seus autores.
Ouça o primeiro episódio e leia a entrevista com Nuno Galopim abaixo.
Como surge o conceito para este programa?
Como levei o “Gira Discos” comigo para a Antena 2, comecei a pensar a possibilidade de um formato diferente, que olhasse sobretudo para a memória dos discos, vincar o tempo e contexto em que nasceram, espreitar a etapa na história dos seus autores em que ganharam forma… Ao olhar para as edições de 1976 (as que completam 50 anos de vida em 2026) notei que estava ali uma coleção de grandes referências e então a ideia dos “números redondos” acabou por definir o modo de juntar discos para uma temporada de mergulhos na memória. Vamos por isso escutar histórias de discos de 1976, mas também de 1956, 1966, 1986, 1996. Não haverá 1946 porque o LP surgiu em 1948. E também não teremos títulos mais recentes porque acredito que, para entendermos o seu peso histórico precisamos de tempo. Daí os 30 anos que nos vão separar dos mais “recentes” que vamos ouvir. Isto implicará nomes como, entre outros, a dupla Simon & Garfunkel, Lou Reed, Genesis, Janet Jackson, Beach Boys, GNR, entre muitos outros.
Como é estruturado cada episódio?
Cada episódio parte do álbum a evocar. Depois traça um breve percurso do artista ou banda até esse momento, olha para o contexto de época, as afinidades com outros nomes e discos. E no fundo acaba por olhar para um disco com peso histórico como uma peça que, mesmo única e imortal, nunca existiria sem o que o precedeu e o que o rodeava.
Qual é o primeiro clássico visado e porque é este o escolhido para dar início à série?

Capa de “Coisas do Arco da Velha” (1976), álbum da Banda do Casaco
Neste primeiro episódio homenageamos o recentemente desaparecido Nuno Rodrigues. E lembramos um álbum seu que foi marcante na história da música portuguesa: “Coisas do Arco da Velha”, da Banda do Casaco, de 1976. a Banda do Casaco. Foram de facto diferentes entre os diferentes, e eram uma banda impossível de rotular. Para já cruzavam as escolas folk, que tinham cativado atenções em finais dos anos 60 e inícios da década de 70, com músicas de raiz tradicional e rural. Podemos falar mesmo de uma atitude em sintonia com uma ideia de recolha etnomusicológica… Mas a coisa não ficava só aí. Porque a estas referências juntavam ainda ecos de várias culturas urbanas, da música elétrica ao jazz.