Imagem de 60 anos de canções, 60 anos da história de Portugal
Simone de Oliveira durante a interpretação ao vivo de "Sol de Inverno" (1964). Fotograma: RTP Arquivos

60 anos de canções, 60 anos da história de Portugal

Nuno Galopim, João Carlos Callixto e Sofia Vieira Lopes apresentam um podcast dedicado ao Festival da Canção.

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60 anos de canções, 60 anos da história de Portugal

Nuno Galopim, João Carlos Callixto e Sofia Vieira Lopes apresentam um podcast dedicado ao Festival da Canção.

Pode o Festival da Canção ajudar-nos a contar a história política, social e cultural do nosso país nos últimos 60 anos? Este é o ponto de partida para a série (áudio) “Quis Saber Quem Sou”, um podcast que terá versões distintas, uma com música, a escutar em exclusivo na plataforma RTP Palco, outra, sem canções mas com mais elementos de conversa, para ouvir no Spotify, Apple Podcasts e Google Podcasts.

Os dois primeiros episódios de “Quis Saber Quem Sou” estarão disponíveis a 20 de fevereiro, surgindo os restantes, ao ritmo de um por semana, a cada terça-feira.

“Quis Saber Quem Sou” parte de conversas de um painel fixo constituído por João Carlos Callixto (investigador musical da RTP) e Sofia Vieira Lopes (musicóloga e investigadora da Universidade Nova de Lisboa), com moderação de Nuno Galopim. Para cada episódio são convidados historiadores, musicólogos, académicos na área da comunicação e jornalistas.

Sofia Vieira Lopes, Nuno Galopim e João Carlos Callixto: os autores de “Quis Saber Quem Sou”

O primeiro episódio “Um Sonho Europeu”, escuta memórias de 1964 e 1965, contando com a presença da historiadora Irene Flunser Pimentel. No segundo “Sinais de Modernidade”, que nos leva a caminhar entre 1966 e 1968, tem como convidado o historiador Luis Trindade.

Apesar de ser de 1965 o célebre discurso de Salazar que fala de um Portugal “orgulhosamente só” o desafio de participar na Eurovisão em 1964 surge assim num tempo de aparente contrassenso. O que levou Portugal a querer escolher uma canção para apresentar na Europa… Como a escolheu? Que vozes foram consideradas? E como evoluiu, nesses primeiros anos, um concurso – o então Grande Prémio TV da Canção – que procurava responder a um eventual sonho europeu e à eclosão de uma cultura juvenil, mas num país em guerra (em África)?

Numa década em que do território insuspeito da canção pop de três minutos surgiam faróis que ajudavam a nortear a sociedade, ditando modas e pondo em causa o status quo, um país pára quando Madalena Iglésias canta “Ele e Ela”, quando Eduardo Nascimento proclama que “O Vento Mudou” ou quando Simone comete a “Desfolhada” (respectivamente, em 1966, 1967 e 1969). Portugal estava em ebulição e o palco do Festival RTP da Canção era também um lugar apetecível para lançar mini-revoluções. Foi para as conhecer melhor que nos reunimos neste programa, esperando que cada emissão seja uma janela temporal própria, com ecos de fora trazidos por cada um dos convidados.

Texto de Nuno Galopim, João Carlos Callixto e Sofia Vieira Lopes