Desde pequeno que as suas redações eram lidas na sala de aula.
Muito antes de se imaginar escritor, já as professoras lhe pressentiram o talento e a prosa criativa.
A música das palavras é talvez parte do segredo, ou não fosse também ele um músico reconhecido e o mais internacionalmente premiado dos escritores cabo verdianos.
Escreve sentado na cama , sem inspirações divinas, mas confiando no universo que lhe faz descer a frase a partir da qual todo o romance começa.
Nasceu no Tarrafal, na pequena aldeia de Monte Iria, viveu no quartel instalado no campo de concentração do Tarrafal , foi ministro da cultura de Cabo Verde, e a sua voz singular volta a surpreender-nos com “AFROCALIPSE”, a oitava ficção publicada em Portugal.
Um romance que Maria do Rosário Pedreira, a sua editora, descreve como “o mais político e o mais corajoso”
ao mostrar sem medo que os ex colonizados conseguem fazer pior do que o colonizador.
“Outro livro incrível”, escreveu também Lídia Jorge poucos dias antes de ser galardoada com o Prémio Camões.
Mário Lúcio Sousa é “Pessoa para Isso”.