“A alienação é a captura da imaginação”, afirma Francisco Louçã, autor de dois volumes de uma obra sobre a Imaginação.
O professor de Economia, que foi fundador do Bloco de Esquerda, deputado e conselheiro de Estado, dedicou mais de 7 anos a investigar as várias dimensões da imaginação e o lugar que ela ocupa na aventura humana. No seu entender, a linguagem forma a imaginação e a imaginação «forma aquilo que é mais essencial para nós que é a acumulação cultural».
Lembra que a imaginação produziu arte, conhecimento, mas também horrores como Auschwitz e Hiroshima. «No mundo precipitacionista em que a informação é tão poluída e intoxicante, em que tudo recomeça em cada segundo, em que se perde a memória e deixa de haver capacidade de refletir sobre a memória, a lentidão é que nos protege”, considera. E, por isso, se preocupa com o poder dos “tecno-oligarcas” e com o facto de estarmos a viver “a maior experiência de controlo social da nossa História”.