Ao longo da sua história, a rádio foi sempre um poderoso instrumento político para informar (ou manipular) as populações. Antes do advento da televisão, a rádio era o principal meio de comunicação de massas e controlá-la significava ter a capacidade de condicionar um grande número de pessoas – sobretudo em países com elevadas taxas de analfabetismo.
A Emissora Nacional nasce em pleno Estado Novo e, por isso, não espanta que o regime vigiasse com zelo todas as palavras e até o modo como elas eram ditas. Fernando Pessa será vítima dessa escuta minuciosa depois da sua passagem pela BBC, onde se destacou pelos relatos (e paródias) sobre a Segunda Guerra Mundial.
Ainda na década de 40, Igrejas Caeiro vai também ser afastado da EN, por subscrever a exigência de eleições livres num documento do MUD – Movimento de Unidade Democrática. Mesmo fora da rádio pública, o radialista verá o seu trabalho fortemente condicionado, mas não deixará de dar voz (no RCP) a quem discorda do modo como o país é governado.
O papel crucial da rádio no 25 de Abril é bem conhecido, mas este período não foi apenas de celebração da liberdade. As várias purgas na comunicação social durante o PREC deixaram marcas profundas.
No documentário sobre as vozes históricas e proibidas da rádio, o jornalista João Paulo Baltazar percorre estes momentos da história da rádio pública, com a ajuda do investigador Nelson Ribeiro, da historiadora Maria Inácia Rezola e do jornalista Eugénio Alves.