À moda de Mourinho

No Seixal, José Mourinho falou de uma proposta de renovação, mas chutou-a para canto e de uns milagres – entenda-se dos árbitros – que só prejudicaram. Apenas se esqueceu de assumir alguma responsabilidade pelo fracasso.

À moda de Mourinho

No Seixal, José Mourinho falou de uma proposta de renovação, mas chutou-a para canto e de uns milagres – entenda-se dos árbitros – que só prejudicaram. Apenas se esqueceu de assumir alguma responsabilidade pelo fracasso.

É muito provável que a conferência de imprensa de José Mourinho, esta manhã, no Seixal, tenha sido a última do setubalense como treinador do Benfica.

Tinha a ideia e, já agora, também a informação, de que a ligação entre o técnico e o clube já tinha conhecido melhores dias.

Depois de ter escutado e lido – confesso que por várias vezes – o que afirmou o ainda treinador dos encarnados fiquei completamente esclarecido.

José Mourinho está de saída, num divórcio que sem ser litigioso – daqueles que acabam numa sala de um tribunal, no meio de uma grande gritaria – também não será propriamente amigável em que as partes ficam amigas para o resto da vida.

Nesta interessantíssima antevisão do Benfica/Estoril, de amanhã à noite, José Mourinho revelou que recebeu uma proposta escrita de renovação do contrato, através do empresário Jorge Mendes, na quarta-feira, mas que só a partir de domingo vai olhar para ela.

Não se sabe o seu conteúdo porque não o disse, apenas revelou que nem a quis ver, mas no meio de todo este ruído, desde o início de março, quando o técnico disse estar disponível para renovar contrato, apresentar uma proposta a três dias do final da temporada não me parece que faça grande sentido.

Desde a primeira declaração de José Mourinho até hoje passou mês e meio, sendo que o ruído ainda aumentou mais com a entrada em cena, aqui há umas semanas, de uma possível saída para o Real Madrid que procura treinador, sendo que o português parece estar bem colocado para ser a principal opção.

Esta proposta do Benfica, a três dias do final da temporada, parece-me apenas para cumprir calendário, para dizer aos sócios e adeptos que o clube quis muito mantê-lo, e atirar com o ónus da decisão para José Mourinho que já percebeu há muito – olha quem – que Rui Costa tem outras ideias.

Repito o que já disse neste espaço ainda esta semana, José Mourinho vai embora e Rui Costa está em campo para contratar um outro técnico. Quem é? Não sei! Uma coisa é certa, parece-me que é um assunto urgente, pelo que vamos ter novidades muito em breve.

Nesta conferência de imprensa, o ainda treinador do Benfica, utilizou, por várias vezes, a palavra milagre para se referir às arbitragens, sem nunca ser totalmente explicito, das quais os encarnados, em sua opinião, têm muitas razões de queixa.

Esta foi, mesmo, a mensagem principal que quis deixar neste primeiro balanço da temporada quando afirmou e cito: “falando desta época, ficará em qualquer caso a frustração de, neste momento, para o Benfica conseguir coisas grandes, são precisos milagres. E não deveria ser preciso. Devia ser só o curso natural das coisas, com o mérito para quem trabalha.”

José Mourinho foi mesmo mais longe quando disse e volto a citar: “lutar contra o feeling de que é preciso um milagre é uma coisa muito difícil.”

E terminou com um aviso para o futuro: “o Benfica, no ano passado, podia ter ganho e não ganhou. Pode acontecer que na próxima época não ganhe outra vez. As coisas estão num estado em que isso é possível.”

Ou seja, para o mais titulado treinador do futebol português, os encarnados só não conseguiram os seus objetivos – ser campeão nacional ou pelo menos terminar no segundo lugar – porque foram prejudicados pelos árbitros.

Jogar mal. Ser pouco competente. Montar mal a equipa parece não fazer parte desta equação.

Talvez seja uma explicação demasiado curta para o que se passou ao longo da temporada, até porque houve muitos jogos em que o Benfica, em minha opinião, não terá feito tudo aquilo que estava ao seu alcance para conseguir resultados diferentes e aí a culpa não me parece ser dos árbitros, mas principalmente de quem treina, joga e lidera.