Imagem de Os gritos das crianças palestinianas são tão diferentes dos gritos das crianças judias durante o nazismo?

Os gritos das crianças palestinianas são tão diferentes dos gritos das crianças judias durante o nazismo?

Como explicar que o povo que sofreu o tenebroso holocausto seja o mesmo que não parece ter compaixão pelo sofrimento dos palestinianos em Gaza?

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Os gritos das crianças palestinianas são tão diferentes dos gritos das crianças judias durante o nazismo?

Como explicar que o povo que sofreu o tenebroso holocausto seja o mesmo que não parece ter compaixão pelo sofrimento dos palestinianos em Gaza?

1.

Os judeus foram massacrados durante a Segunda Guerra Mundial.

Milhões de pessoas foram exterminadas pelos nazis em campos de concentração preparados para matar.

Judeus, na sua larga maioria.

Gente que foi despojada de toda a humanidade, humilhada na sua condição de seres humanos – asfixiavam-nos com gás, arrancavam-lhe os dentes à caça de ouro, executavam-nos e queimavam os corpos antes de os incendiar em valas comuns.

2.

Só depois do fim da guerra se conheceu a dimensão do que ficaria para a história como Holocausto.

Os fascistas do III Reich construíram muros para acantonar homens, mulheres e crianças, famílias inteiras, ratos como Goebells adorava chamar-lhes.

No gueto de Varsóvia amontoavam-se judeus marcados com uma estrela como se fossem gado pronto para o abate.

Ao longo da história os judeus foram humilhados, expulsos, deportados, mortos.

Até em Portugal…

… obrigados a ser cristãos novos se não quisessem ser queimados nas fogueiras da Inquisição.

Mas entre 1939 e 1945 a crueldade atingiu o seu ponto máximo. Continua a ser muito difícil não nos comovermos com o que aconteceu há tão pouco tempo.

3.

Em nome dessa culpa coletiva, os vencedores da guerra ofereceram um país aos judeus, a terra prometida.

Israel nasceu nos escombros da morte, mas o novo país simbolizava também a esperança de que jamais tornaria a acontecer no futuro tal manifestação do mal.

4.

Israel nasceu, mas as sombras foram sempre mais fortes do que a luz.

Rodeados por inimigos reais e imaginados, passaram a viver em guerra permanente.

Uma parte importante dos israelitas acredita que a sua sobrevivência implica o combate aos inimigos e se possível a sua morte – olho por olho, dente por dente.

5.

O tenebroso e cruel ataque do Hamas a Israel, um ataque sem precedentes, foi o pretexto para uma resposta, também ela sem precedentes a Gaza.

Mais de 30 mil palestinianos morreram.

Segundo as Nações Unidas morre uma criança em Gaza de dez em dez minuto, mas essa é apenas uma parte.

Judeus impedem a entrada de camionetas com medicamentos para acudir a situações desesperadas.

Judeus impedem que camiões com comida e bebida possam entrar no território palestiniano – Guterres lembrou-nos que quatro em cada cinco pessoas famintas no planeta estão naquele bocadinho de terra emparedada por todos os lados.

Como no gueto de Varsóvia.

E eu pergunto: até onde é que isto pode continuar?

Até quando é que os judeus, que tanto sofreram na pele perseguições e tentativas de extermínio, insistirão nesta horrível barbárie a mulheres, crianças e velhos inocentes?

Porquê tanta maldade quando deveriam ser eles os primeiros a perceber o peso do mal e da crueldade.

Não ouvem os gritos das crianças?

Texto e programa de Luís Osório


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