A treinadora mais velha do mundo é portuguesa

Esta é a história da mais velha treinadora do mundo. Fundou um clube de voleibol na década de 1960 e continua a dar treino às suas meninas. Adelaide Patrício tem 88 anos e é portuguesa.

A treinadora mais velha do mundo é portuguesa

Esta é a história da mais velha treinadora do mundo. Fundou um clube de voleibol na década de 1960 e continua a dar treino às suas meninas. Adelaide Patrício tem 88 anos e é portuguesa.

1.

Adelaide tem 88 anos e é treinadora de voleibol no clube que fundou na década de 1960.

Técnica, presidente, mentora, roupeira, relações públicas e angariadora de apoios…

…ela é tudo.

E já anunciou nas redes sociais que esta será a sua 62ª época como treinadora no Filipa de Lencastre Voleibol, em Lisboa.

2.

É uma das personagens mais especiais do desporto português.

Fez parte da primeira seleção nacional feminina de volley e vive com o máximo de intensidade o destino que escolheu desde o dia em que compreendeu que não nascera para ser o que se esperava de uma mulher.

Adelaide Patrício quis ser livre.

Correr.

Saltar.

Participar em provas, ser professora de Educação Física.

3.

Disse em casa tudo isto e o pai, conservador em cada uma das suas vértebras, proibiu-a de pensar no assunto, era só mesmo o que lhe faltava ter uma filha saltimbanca.

Adelaide não hesitou em fazer-lhe frente.

Inscreveu-se no atletismo do Belenenses e foi campeã nacional antes de trocar de modalidade – o pai viu-a na televisão e nem sabia que a filha fazia desporto.

4.

Foi o bom e o bonito.

Mas aí era demasiado tarde, Adelaide já não tinha como voltar atrás.

Licenciou-se mesmo em Desporto e, a convite de Moniz Pereira, começou a treinar no Sporting… apaixonou-se então pelo voleibol.

5.

Vou repetir-me, insisto em insistir.

Tem 88 anos.

E continua a ser a treinadora das miúdas do Filipa de Lencastre.

Continua a levantar-se todos os dias com o nascer do Sol, continua a ir logo de manhã para o pavilhão, continua a treinar as atletas todos os fins-de-tarde, continua a regressar a casa quando a Lua já está bem viva.

Uma casa agora silenciosa.

Adelaide chorou a morte do marido e acreditou que a sua vida acabara também – as duas filhas não a deixaram desistir e as suas atletas também não…

…batiam-lhe à porta, levavam-lhe prendinhas, desafiavam-na a voltar aos treinos.

6.

Regressou e só deixará de estar quando partir.

Ou quando não conseguir sair da cama num dia em que o Sol nasça mais triste.

Um dia será, mas até que aconteça nada lhe dará mais prazer do que continuar a vestir o fato de treino, calçar as sapatilhas e desenhar o plano de treinos para que as suas meninas não se esqueçam do que têm de fazer para ganhar…

…os jogos e para ganhar um campeonato mais importante: o da inquietação que faz com que as vidas sejam mais completas.

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