1.
Tento estar aberto a todas as tendências de pensamento.
Procuro a compreensão das diferenças, leio sobre os assuntos, coloco-me no lugar dos que não calçam os mesmos sapatos do que eu.
Há coisas que entendo, algumas delas aparentemente muito estranhas à maioria das pessoas, mas há outras em que prefiro esperar um pouco…
… tantas vezes, quando esperamos, a natureza oferece-nos mais tarde as respostas de que precisamos.
2.
Por exemplo, as relações de reciprocidade e prazer com a terra, com as árvores, com o mar.
É uma inclinação que tem crescido um pouco por todo o lado, há cada vez mais gente a aderir ao manifesto escrito pelas gurus Anne Sprinkle e Elisabeth Stephens, em 2011.
O princípio é simples e fácil de entender: a natureza tem de deixar de ser mãe e passar a ser amante.
Temos e precisamos de nos ligar.
E nada melhor do que o sexo, do que o amor, para o conseguir.
3.
As árvores não pedem nada em troca.
Não são possessivas, não nos tratam mal, não exigem nada, não nos sufocam com ciúmes.
A relação tem assim múltiplas vantagens, um prazer mútuo e consentido – embora suponha que a natureza não responda a qualquer pergunta que lhe possamos fazer.
No manifesto existem divisões: os ecossexuais podem ser aquafílicos, terrafílicos, pirofílicos ou aerofílicos – o mesmo que dizer que poder amancebar-se com a água, terra, fogo ou ar.
Dizem-me ser fácil de entender, que basta estarmos disponíveis para amar furiosamente a natureza, amar como se não houvesse amanhã…
… descalçarmo-nos na relva e na terra, recebermos as ondas nus e disponíveis, conversarmos eroticamente com as plantas, abraçarmos as árvores e sentirmos o que elas nos podem oferecer, massajarmos as cascas e os galhos, utilizarmos lubrificantes ecológicos para que as relações possam ser mais frutuosas e os orgasmos com o planeta mais intensos.
4.
São celebrados casamentos.
No Canadá é conhecida a história de Sonja que assumiu publicamente a sua ligação amorosa e sexual com um carvalho.
Ou da galesa Ema que vive há vinte anos numa cabana de lama e rodeada de uma floresta com quem vive uma relação plena de amor físico e espiritual.
Não sei o que dizer mais.
Manter o espanto, respeitar e nunca dizer que desta água não beberei.
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