As mulheres são mais eficazes a trair do que os homens

José Gameiro ganhou uma popularidade maior quando escreveu o seu "Manual da Infidelidade". Fez-me pensar no tema. Nesta coisa de as mulheres, segundo ele, traírem melhor do que os homens.

As mulheres são mais eficazes a trair do que os homens

José Gameiro ganhou uma popularidade maior quando escreveu o seu "Manual da Infidelidade". Fez-me pensar no tema. Nesta coisa de as mulheres, segundo ele, traírem melhor do que os homens.

1.

O “Manual de Infidelidade”, do psiquiatra José Gameiro, foi o livro que mais vendeu entre as dezenas que escreveu.

Vendeu muito.

E tornou-o bastante popular.

Deu mais entrevistas a propósito deste livro do que nos 50 anos anteriores de uma carreira de sucesso – passou a ser convidado para estar em programas de televisão, entrevistas de rádio e colóquios com salas a abarrotar.

2.

Mérito seu e mérito do tema.

Da Infidelidade.

Uma das mais antigas palavras do mundo.

Uma das mais praticadas.

E uma das mais democráticas.

3.

Os homens e as mulheres traem.

Para José Gameiro traem de forma diferente e, na maioria dos casos, com diferentes motivações.

Eles são muito mais básicos.

Nós somos muito mais simplórios.

Esquecemo-nos dos pormenores.

Mudamos as nossas rotinas.

Esquecemo-nos de apagar mensagens ou, pelo contrário, começamos a levar o telemóvel para todo o lado, até quando

vamos tomar banho – ou não temos cuidado nenhum ou temos uma preocupação acintosa que provoca a desconfiança.

Depois não temos cuidado com os cheiros, com os chupões, com as alterações à rotina.

Passamos a pôr perfume ou deixamos de usar o de sempre, uma tragédia.

4.

As mulheres não.

São metódicas.

Não alteram hábitos e quando marcam alguma coisa é com antecedência e muitos alibis.

Apagam mensagens comprometedoras e só são traídas quando a paixão é demasiado forte e lhes provoca, inconscientemente, a vontade de serem descobertas, a ânsia de resolverem uma vida de águas paradas.

5.

Os homens e as mulheres não foram feitos na mesma fôrma.

Vê o modo como a maioria recebe a traição.

Os homens aguentam pior o impacto – sentem-se atingidos na sua masculinidade, são um bocadinho macacos.

Somos um bocadinho orangotangos.

As mulheres sofrem bastante, mas não é a mesma coisa.

Um sofrimento interior, uma desilusão triste, uma ferida mais fácil de cicatrizar, embora impossível de apagar.

O assunto é vasto e também literário.

Experimenta “O Primo Basílio”, do nosso Eça.

Ou “As Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

Ou o “Otelo”, de Shakespeare.

Passeia com “Bovary” ou com “D. Juan”.

E perde-te.

Aí não há perigo.

Podes ir à confiança.

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