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Imagem de Os Dias que Correm

Os Dias que Correm

Fernando Alves | 13 jun, 2025, 09:04

Deve chamar-se tristeza

A rubrica diária de Fernando Alves nas manhãs da Antena 1, para ouvir e ler.

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Os Dias que Correm

Fernando Alves | 13 jun, 2025, 09:04

Deve chamar-se tristeza

A rubrica diária de Fernando Alves nas manhãs da Antena 1, para ouvir e ler.

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Os Dias que Correm

O que guardamos dos dias. O que passando, fica. Fernando Alves na Antena 1.

Ver Programa

Neste dia em que celebramos o poeta, tão vagamente como se afagássemos um manjerico, esquecendo que ele nos pediu, em quadra póstuma, que puséssemos de lado o manjerico comprado e lhe dessemos o coração, ou como se tirássemos, com ele, uma selfie na esplanada da Brasileira, em que bolso deveremos guardar as emoções?

“Não ter emoções”, propôs ele, “não ter desejos, não ter vontades, / mas ser apenas, no ar sensível das coisas, / uma consciência abstracta com asas de pensamento”

É como se Nasser Rabah, o poeta de Gaza que acaba de publicar em Espanha um livro de poemas escritos durante a guerra, o tivesse lido ou escutado, sob os escombros, quase cem anos depois. Na casa destruída pelos bombardeamentos israelitas no campo de refugiados de Al Maghazi, ele responde às perguntas da jornalista do El Pais. “As nossas emoções estão mortas”, diz Nasser.

Quando a jornalista lhe pede que descreva os trabalhos e as preocupações quotidianas de um poeta em Gaza, ele responde: “Proteger os meus filhos, na medida do possível, dos bombardeamentos e das balas perdidas, procurar comida, manter um mínimo de higiene, conseguir lenha”.

Talvez ele não seja, por estes dias, sensível à ideia de que a dobrada “nunca se come fria”.

Terá Nasser, na sua biblioteca, os versos daquele por quem hoje talvez afaguemos um majerico? Por certo, não. Na verdade, pouco resta da sua biblioteca, bombardeada pelos israelitas. Ele acredita que, mais do que o resto da casa, a biblioteca foi o alvo da acção destruidora. “Tenho o sentimento de que a biblioteca foi bombardeada deliberadamente”. Ao contrário das outras divisões da casa, igualmente atingidas, aquele onde se encontrava a biblioteca não

estava na linha de mira óbvia, para a atingir era necessário procurar um ângulo de tiro mais difícil. E isso aconteceu.

O jornal mostra o poeta junto aos poucos livros que pôde salvar entre pó e escombro. É nesse cenário que ele partilha o poema que escreveu há dois dias. Termina assim: “Quantos morreram, já não importa. / As mãos queimadas não sabem contar”.

No outro lado da linha, a jornalista observa: “São versos tristes”. Ele responde: “São um reflexo da nossa vida (…) Vamos aos funerais como se fossemos ao mercado”.

Aquele por quem talvez afaguemos, hoje, um manjerico, também sabia de tristeza: “Deve chamar-se tristeza / isto que não sei que seja”.

Texto e programa de Fernando Alves
Os Dias que Correm

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