Do passado se chega ao futuro

26 dias depois do último jogo do Benfica, Rui Costa falou sobre uma temporada “frustrante e negativa.” Teve o mérito de não se esconder ao abordar o passado e José Mourinho, mas também o futuro agora com Marco Silva.

Do passado se chega ao futuro

26 dias depois do último jogo do Benfica, Rui Costa falou sobre uma temporada “frustrante e negativa.” Teve o mérito de não se esconder ao abordar o passado e José Mourinho, mas também o futuro agora com Marco Silva.

26 dias depois do último jogo do Benfica realizado, no Estoril, Rui Costa deu a cara e explicou aquilo que considerou ser um ano frustrante e muito negativo.

As explicações demoraram, mas tudo por culpa das eleições para a presidência do Real Madrid que obrigaram a que todo este processo tivesse de ser conduzido com prudência e paciência para não serem cometidos erros.

Foi uma conferência de imprensa muito interessante na qual Rui Costa falou do passado, como é óbvio, mas principalmente do futuro que é aquilo que mais o preocupa nesta altura e o futuro passa por Marco Silva que foi há pouco apresentado, no estádio da Luz, como o novo treinador do Benfica.

O maestro, numa jogada típica de um número 10 de enorme qualidade, como ele era, não se escondeu e começou por afirmar que José Mourinho era o escolhido para se manter na Luz e, por isso, lhe foi proposta a renovação de contrato.

Talvez muitos tivessem preferido comentar o assunto de uma outra forma. Outros talvez tivessem dito qualquer coisa do género: só faz falta quem está, ou tivessem chutado a questão para canto e dito o óbvio, porque agora é Marco Silva que conta.

Nada disso aconteceu e Rui Costa abordou o assunto da única forma que, em minha opinião, faz sentido ao assumir sem rodeios que o treinador de Setúbal era o seu plano A.

Rui Costa assumiu, também, que o Benfica é candidato à vitória na Liga Europa, mas que primeiro há que lá chegar e sobre o mercado avisou que está muito parado, mas que, apesar de falhado o apuramento para a Liga dos Campeões há dinheiro para reforços.

Achei muito curioso que tenha afirmado que o novo técnico vá “pegar neste plantel e fazê-lo funcionar” o que significa que talvez no passado mais recente isso não estivesse a acontecer, numa pequena indireta ao trabalho de José Mourinho.

Ao ouvir esta declaração do líder encarnado fiquei esclarecido e com a ideia de que é com a maior parte destes jogadores que ficaram no terceiro lugar da Liga Portugal que Marco Silva vai trabalhar, afastando assim uma revolução na equipa.

Nesta longa conversa com os jornalistas houve três temas que não me deixaram suficientemente esclarecido, bem pelo contrário.

Desde logo a questão da tal cláusula que Mourinho tinha no contrato e que permitia que, no final da temporada, uma das partes pudesse rescindi-lo a troco de 7 milhões de euros.

Não percebi porque é que quando Rui Costa ganhou as eleições, em outubro, essa cláusula pura e simplesmente não desapareceu. Era o que fazia sentido, porque o presidente era o mesmo que tinha contratado o treinador.

Foi um assunto que contribuiu decisivamente para aumentar a confusão e o ruído e sem necessidade.

Também não fiquei suficientemente esclarecido sobre o timing da proposta de renovação contratual que foi feita pelo Benfica a Mourinho porque disse o presidente, naquela altura, ainda não havia nada com o Real Madrid.

Talvez não houvesse nada oficial, mas não havia nenhum jornal, rádio ou televisão da Península Ibérica que não falasse sobre este assunto, pelo que sempre me pareceu, tal como continua a parecer agora, mesmo depois das explicações de Rui Costa, que foi uma proposta feita para ser recusada.

Por fim, o presidente do Benfica voltou a queixar-se das arbitragens quando disse que não se “lembra de um clube ter sido tão prejudicado”, ao mesmo tempo que falou dos erros próprios e dos 12 pontos perdidos em casa.

No que ficamos?

Não deixa de ser uma fraca justificação recorrer aos erros dos árbitros para falar do insucesso quando isso não foi, nada mesmo, em minha opinião, o mais importante.