As competições nacionais do futebol jovem português terminam, amanhã, com a realização da última jornada do campeonato de iniciados ou sub 15, como preferirem.
Tal como aconteceu em todos os outros escalões – juvenis e juniores – a vitória pertenceu ao FC Porto que fez assim o pleno, porque, é preciso não esquecer, que também ganhou o título nos seniores.
Foi quatro em quatro, o que não é muito normal. No futebol foi claramente o ano do Dragão!
Aliás, os portistas já não eram campeões nacionais jovens há vários anos.
Os juvenis não ganhavam o título desde a temporada 2009/2010, enquanto os iniciados tinham vencido, pela última vez, em 2010/2011, já para os juniores o último título tinha acontecido em 2018/2019, numa equipa que contava com Diogo Costa, Vitinha ou Fábio Silva só para referirmos os nomes mais sonantes e que já chegaram à seleção nacional.
Todo este sucesso levou André Vilas Boas a escrever uma mensagem, no sítio oficial do FC Porto na internet, em que refere a importância da formação para os azuis e brancos quando diz que “não é apenas um espaço de passagem. É um pilar estratégico. É o sustento desportivo, económico e financeiro de um clube que quer vencer hoje sem hipotecar o amanhã.”
Por isso mesmo, ganhar títulos na formação até é bem capaz de ser, nesta equação, o menos importante, apesar de reconhecer que os dirigentes gostam e os adeptos adoram vencer!
A formação tornou-se, atualmente, para os clubes portugueses de topo, uma fonte de receitas tão ou mais importante que a participação nas competições europeias, principalmente para quem joga a Liga dos Campeões.
Formar, pô-los a jogar na equipa principal, mostrá-los ao mundo do futebol e depois transferi-los são os quatro passos principais para, no fim da linha, os clubes poderem recuperar o investimento feito.
Um investimento que mantenha a máquina em funcionamento e oleada, à boa maneira de uma qualquer linha de produção de uma qualquer indústria.
Para que tudo isto seja um sucesso, é preciso que os jogadores joguem e se mostrem ao mercado.
Todos conhecemos treinadores que se gabam de apostarem em jogadores da formação quando lhes dão a possibilidade de se estrearem, mas isso não é apostar na formação.
Esta é uma aposta de risco que nem sempre corre bem, porque os jogadores vão necessariamente cometer erros e serem criticados.
Esta temporada, Francesco Farioli utilizou acima dos 1500 minutos três jogadores totalmente formados em Gaia, no Centro de Treinos Jorge Costa – Diogo Costa, Rodrigo Mora e Martim Fernandes – sendo que outros três, entre os 18 e os 20 anos, também jogaram com muita regularidade – Froholdt, Wiliam Gomes e Pietuszewski – sendo que o dinamarquês, de 20 anos, foi o jogador mais utilizado do plantel dos campeões nacionais.
No Sporting, a utilização de jogadores exclusivamente made in Alcochete foi ainda maior.
Catamo, Gonçalo Inácio, João Simões, Eduardo Quaresma e Quenda fizeram entre os 1,500 e os 4 mil minutos.
Já o Benfica apenas apostou de forma regular em António Silva e Tomás Araújo como produtos da formação. Ambos fizeram cerca de 3 mil minutos.
Mas nem todos os jogadores que saem da formação têm condições para chegar à primeira equipa e terem o seu espaço.
Nem todos terão a possibilidade de protagonizarem uma grande transferência para um outro clube.
Mesmo assim, tenho a certeza absoluta que, se não tiverem a sorte de encontrar, no seu percurso, quem aposte neles, nunca vão conseguir chegar a outros patamares.
O clube até pode dizer que a formação é um pilar estratégico para o seu futuro.
Até podem ganhar títulos e serem convocados para as seleções jovens, porque se não jogarem ao mais alto nível nada feito!
Sem correr riscos não há formação de qualidade.