Costuma-se dizer que a última imagem é a que fica e, no caso do Sporting, a última imagem não é boa, longe disso.
Acho que se pode dizer sem medo de errar que os Leões são, neste momento, uma equipa em profunda crise.
Triste, cansada, cheia de lesionados e, claramente, a suspirar pelo final da temporada.
Acaba por ser cruel, porque durante muito tempo foi, em minha opinião, a formação que melhor futebol praticou em Portugal.
Mas uma coisa é a nota artística. Outra a nota técnica.
O problema é que as temporadas são longas e a regularidade é sempre a chave do sucesso.
Ninguém resiste a uma derrota e a quatro empates consecutivos.
A equipa de Rui Borges fechou a loja a seguir à eliminatória da Liga dos Campeões, com o Arsenal e esqueceu-se de que ainda havia muita coisa para conquistar.
Ontem, frente ao Tondela deixou-se empatar, no último suspiro do jogo.
O tricampeonato já era.
O segundo lugar veremos, mas o desenlace de ontem pode muito bem ter entregado o segundo lugar ao Benfica.
Os encarnados, nos três jogos que faltam, até se podem dar ao luxo de empatar um deles e, mesmo assim, abrirem a porta de entrada aos milhões da liga milionária.
Depois do acerto do calendário, todas as equipas fizeram 31 jogos. A todas faltam três encontros, o mesmo é dizer há nove pontos para discutir.
A questão do título está entregue. O FCPorto pode fazer a festa no sábado, até antes de entrar em campo para defrontar o Alverca, basta o Benfica não ganhar em Famalicão.
A luta pelo segundo lugar, como já vimos, ainda está em aberto, mas para já são os encarnados quem se apresentam na pole position para fechar essas contas. Quem diria!
O quarto lugar está entregue ao Sporting de Braga que hoje joga a primeira mão das meias-finais da Liga Europa, veremos, na semana que vem, se consegue ou não chegar à final de Istambul.
O quinto posto, no caso de o Sporting vencer a final da Taça, dá acesso à Liga Conferência. Nesta decisão, Famalicão e Gil Vicente, separados por dois pontos, são os dois únicos candidatos.
Do sexto ao décimo quarto lugar, a manutenção está garantida. O mesmo é dizer que Vitória de Guimarães, Moreirense, Alverca, Estoril, Arouca, Rio Ave, Santa Clara e Nacional vão, de certeza, marcar presença na edição 25/26 da Liga Portugal.
Para já a fasquia da manutenção está nos 31 pontos, sendo que é muito provável que até menos do que isso sejam suficientes para uma equipa permanecer na liga principal. Eu aponto para os 29 pontos, como fasquia mínima.
Na zona perigosa da tabela classificativa e com a já consumada descida do Aves SAD à Liga 2, a luta pela permanência e pelo play-off está resumida ao Estrela da Amadora, Casa Pia e ao Tondela, sendo que, no domingo à tarde, há um jogo fundamental para esta discussão que coloca frente a frente Gansos e Beirões. Quem perder ficará em apuros.
Na segunda liga e com a já garantida subida do Marítimo, há quatro equipas que estão na discussão pelo segundo lugar de acesso direto à liga principal e por jogar o play-off. Académico de Viseu, Torrense, União de Leiria e Vizela são os candidatos para os dois lugares em aberto. Veremos quem tem a pedalada certa para cumprir os objetivos.
É este o estado da arte, a nove pontos de tudo estar terminado. Haja coração que aguente.