Os milhões da pirataria

O futebol português não se pode queixar da falta de clientes, mas o problema é que nos últimos tempos passou a ser um produto caro. E por causa disso apareceu a pirataria que tem vindo a retirar tanto dinheiro ao futebol.

Os milhões da pirataria

O futebol português não se pode queixar da falta de clientes, mas o problema é que nos últimos tempos passou a ser um produto caro. E por causa disso apareceu a pirataria que tem vindo a retirar tanto dinheiro ao futebol.

Se há coisa de que o futebol português não se pode queixar é de falta de clientela.

Os portugueses gostam de futebol, principalmente dos seus clubes, mas a verdade é que não perdem um jogo e as audiências televisivas provam isso mesmo.

A partida de quarta-feira, à noite, entre o FC Porto e o Sporting, a contar para a Taça de Portugal, teve mais de 2,1 milhões espetadores e tornou-se num dos programas de televisão mais vistos deste ano.

Já em março, a primeira mão deste jogo foi o programa mais visto do mês com cerca de 1,7 milhão de espetadores.

Não é por acaso que a CMTV, com os relatos dos jogos dos grandes, chega a fazer audiências que atingem números estratosféricos, só a título de exemplo o final do Sporting/Benfica, no domingo passado, chegou a ter cerca de 700 mil espetadores.

Clientes temos, mas o grande problema é que ao longo dos últimos 25 anos, o futebol tornou-se um produto caro e de luxo, não só para as televisões que o tentam comprar, como depois para os adeptos que têm de o pagar.

Quem quiser seguir a liga portuguesa e assistir aos jogos todos, tem de ser assinante ou da SportTV ou da BTV, sendo que os jogos do Moreirense passam nos canais do grupo TVI, alguns deles em sinal aberto.

Como é fácil de perceber, o adepto tem de gastar muito dinheiro para ver a bola.

Por tudo isto que expliquei anteriormente ninguém pode ficar espantado que a pirataria seja um dos principais problemas que afeta o desporto no mundo inteiro e, por maioria de razão o futebol nacional.

Ainda esta semana houve notícias da condenação a quase dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa no valor de 11 milhões de euros do cabecilha de uma rede que fornecia streaming ilegais de eventos desportivos como a Liga dos Campeões, Premier League ou outros campeonatos europeus.

Este é um fenómeno que existe em Portugal, como sabemos, e que retira ao futebol nacional e, no final da linha, aos clubes, muito dinheiro.

Há estudos que estimam prejuízos anuais de cerca de 100 milhões de euros no futebol português por causa da pirataria.

Imaginem o que seria esse dinheiro entrar no bolo total a dividir por todos os clubes, agora que tanto se fala da centralização?

Talvez fosse possível chegar ao tal valor mágico dos 300 milhões que andou a ser prometido. Assim, se chegar aos 180 milhões já é muitíssimo bom.

O combate à pirataria terá de ser, por tudo isto, uma prioridade.

É necessário que por cá as polícias sejam mais ativas no desmantelamento destas redes, à semelhança do que já começa a acontecer um pouco por toda a Europa.

E, é, ainda necessário, que o ecossistema do futebol – todo, com os adeptos à cabeça – tome consciência da enorme quantidade de dinheiro que os clubes perdem e que vai para o bolso de alguns criminosos que apenas se servem do futebol.

Isto é tão mais importante agora que a Liga de Clubes vai começar a discutir a divisão das receitas provenientes da venda centralizada dos direitos audiovisuais.

Tanta falta que faziam aqueles 100 milhões que se perdem todos os anos!

Uma nota final para o Torreense que ontem garantiu a presença na final da Taça de Portugal, na qual vai defrontar o Sporting.

A equipa de Torres Vedras, da Liga 2, é a sétima formação dos escalões secundários a chegar à final da prova rainha.

Vitória de Setúbal, por duas ocasiões, Estoril, Farense, Leixões e Chaves foram as outras.

Nenhuma conseguiu levar o troféu para casa.

É a Taça de Portugal na versão David contra Golias.