O incidente que ocorreu, no sábado, no balneário do Sporting, no Dragão Arena, antes do jogo FC Porto/Sporting a contar para a primeira jornada da fase de apuramento de campeão do andebol é apenas mais um capítulo de um conflito que, esta época, se tem vindo a intensificar entre os dois gigantes do desporto nacional e que, em minha opinião, não aproveita a ninguém.
A história conta-se muito rapidamente: quando chegaram ao balneário, jogadores, técnicos e staff dos leões sentiram um cheiro muito intenso que provocou incomodo a toda a gente. O treinador Ricardo Costa e o jogador Moga tiveram de receber apoio médico e ficaram fora do encontro.
Também os delegados ao jogo confirmaram a presença desse cheiro intenso que obrigou um deles a ser observado pelos bombeiros, no entanto foram eles próprios quem, passado um quarto de hora, confirmaram a realização do encontro, juntamente com os árbitros, porque, entretanto, o cheiro dissipou-se.
Quem, como foi o meu caso, seguiu o jogo pelo Porto Canal viu uma bela partida de andebol, sempre realizada com fair play e que terminou com a vitória dos leões, por 33/30, pela simples razão de que foram melhores. Aliás, neste momento são a melhor equipa do andebol português e voltaram a prová-lo mais uma vez no sábado passado.
Na guerra dos comunicados que se seguiu, o FC Porto desmentiu “de forma clara absoluta e inequívoca os relatos tornados públicos”. Os dragões pediram igualmente à Polícia de Segurança Pública que verificasse toda a situação.
Na resposta, também em comunicado, o Sporting falou de “sucessivas ações absolutamente repugnantes” que são imputadas ao FC Porto, enquanto pediu consequências exemplares para os portistas, tendo ainda solicitado uma audiência à Ministra da Cultura, Juventude e Desporto.
Encontrar a verdade está agora do lado do Conselho de Disciplina da Federação de Andebol de Portugal que não tem grandes alternativas: ou o FC Porto premeditou a situação e tem de ser punido. Ou as acusações feitas pelo Sporting não correspondem à realidade e o clube tem de ser penalizado. Não há uma terceira via.
Tenho, no entanto, uma certeza: aconteça o que acontecer ninguém fica a ganhar com isto. É mau para os clubes e para uma modalidade que tem vindo a trilhar, nestes últimos anos, um percurso de grande notabilidade a nível nacional e internacional.
O problema é que esta conversa entre dragões e leões já está deteriorada há muito tempo e não me parece haver ninguém no desporto português, nem o Governo, nem o Comité Olímpico de Portugal, nem, tão pouco, a Federação Portuguesa de Futebol ou a Liga Portugal que sejam capazes de juntar os presidentes dos dois clubes e conversar com eles. De os chamar à razão.
Por mais voltas que dê à minha cabeça, esta troca de acusações aproveita a quem? Aos dois clubes, não me parece. Aos rivais? Não acredito, até porque e bem, não se têm metido neste assunto. Ao desporto nacional? Tão pouco. Talvez a algumas franjas de adeptos mais radicais, mas essas precisam sempre de alguma coisa para se manterem entretidas a chatear tudo e todos.
Percebo que estamos a chegar à fase das grandes decisões, seja em que modalidade for.
No sábado era o andebol, depois será o voleibol, a próxima modalidade a decidir o campeão, a seguir o basquetebol, o hóquei em patins e claro, a mais importante de todas o futebol que vai ter uma ponta final bem quentinha.
Todos sabemos que a luta pela vitória no campeonato será entre o líder FC Porto e o campeão nacional em título, Sporting.
Todos sabemos que eles vão jogar, igualmente, já no mês que vem, a presença na final da Taça de Portugal, mas que tal deixarem de lado os comunicados, os editoriais da revista Dragões ou as declarações nas zonas mistas para que sejam os atletas, dentro do relvado, dentro das quadras, a decidiram que é o mais forte?
Será que é pedir muito?