Com a 2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal chegou ao final, na noite de ontem, um ciclo de três jogos numa semana, ao longo da qual se definiu e praticamente se decidiu a temporada 25/26 para FC Porto e Sporting.
Ambas as equipas tinham, há uma semana, a possibilidade de conquistarem ou, pelo menos de discutirem até ao final, três títulos.
Os Dragões estavam na luta pela vitória no campeonato que lhes foge há três temporadas, também pela presença na final da Taça de Portugal que não conquistavam há duas épocas e por um apuramento para as meias-finais de uma competição europeia, no caso a Liga Europa, que não acontecia desde 2011, vai para 15 anos.
Já os Leões estavam na luta pelo título nacional, seria o tricampeonato, o que não acontece desde os anos cinquenta do século passado – há mais de setenta anos – pela Taça de Portugal que venceram na última temporada e pelo feito inédito de chegar às meias-finais da Liga dos Campeões. Seria atingir o topo do mundo!
Chegados a este ponto, o FC Porto tem, agora e apenas, fortes hipóteses de conquistar o título número 31 da sua história, faltam sete pontos, numa altura em que estão em discussão doze.
O Sporting vai voltar ao Jamor para tentar vencer a Taça de Portugal número dezanove da história repetindo a conquista da temporada passada. Para já aguarda o adversário que vai sair do encontro, de mais daqui a pouco, entre Torrense e Fafe, mas, como é fácil de perceber é o favorito.
Ambas as equipas podem vencer apenas um título, sendo que deixaram dois pelo caminho.
Ontem, no final do jogo do Estádio do Dragão, que ditou a passagem do Sporting ao encontro decisivo da competição e a consequente eliminação do FC Porto, ambos os treinadores fizeram um primeiro balanço bem positivo desta temporada que ainda não terminou.
Apesar da evidente frustração e azia pela saída da Taça de Portugal, Francesco Farioli não escondeu o orgulho pelo que foi feito: “tudo aconteceu mais depressa do que todos esperavam” e reconheceu que lhe foi pedido para se aproximar dos outros dois gigantes – subentende-se Sporting e Benfica porque não o referiu – para concluir que “estamos, pelo menos na Liga, onde queremos estar”, no primeiro lugar. Ou seja, missão cumprida.
No mesmo cumprimento de onda esteve Rui Borges que, depois do jogo com o Benfica, no domingo, tinha qualificado a época do Sporting como fabulosa. Ontem voltou a sublinhar que “o primeiro objetivo de um clube grande é estar presente nas discussões dos troféus e que não é a sua conquista que vai definir a qualidade do processo.” Ou seja, igualmente missão cumprida.
Aqui há uns anos, um treinador amigo que liderava uma equipa cujo objetivo era manter-se na principal divisão do futebol português explicava-me que o sucesso dele se media por cumprir esse objetivo, mas que o fundamental era estar na luta e não vacilar no momento certo.
Hoje integrado numa equipa técnica que tem por objetivo conquistar taças e títulos explica-me que o sucesso passa por estar nas decisões. O resto – os títulos – vêm, sempre que possível, por acréscimo.
Admito que os adeptos de FC Porto e Sporting quisessem ganhar todos os troféus que pudessem e mais alguns ainda. Estranho seria o contrário, e que muitos acham que a temporada não teve o final com que sonhavam, mas não posso estar mais de acordo com Farioli e Rui Borges, porque ambas as equipas chegaram à fase crucial das decisões e isso é já um enorme sucesso.
O FC Porto terminar esta época com a conquista do título e o Sporting com a conquista da Taça, são uma espécie de cereja no topo de um bolo que teve algumas camadas bem saborosas como, por exemplo, a participação nas competições europeias que foram do melhor que se viu nos últimos anos.