Imagem de Nos 50 anos do álbum de estreia de Donna Summer
Fotografia de Donna Summer em 1974: Noord-Hollands Archief, collectie Fotopersbureau De Boer

Nos 50 anos do álbum de estreia de Donna Summer

Esta semana no "Asas Elétricas", Herberto Quaresma recorda “Lady of The Night”, como ponto de partida para uma viagem pelo "disco sound". Um programa para ouvir, acompanhado de um texto de Nuno Galopim.

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Nos 50 anos do álbum de estreia de Donna Summer

Esta semana no "Asas Elétricas", Herberto Quaresma recorda “Lady of The Night”, como ponto de partida para uma viagem pelo "disco sound". Um programa para ouvir, acompanhado de um texto de Nuno Galopim.

O álbum de estreia de Donna Summer foi editado em 1974. Tem por título “Lady Of The Night” e revela ainda uma noção pouco nítida do que poderia ser um rumo para a sua carreira. Apesar de algum impacte de “The Hostage”, uma canção que sugeria o tom de um thriller policial, mas com sabor a musical de palco, e que conheceu edição também a 45 rotações, o disco passou longe das atenções.

Há aqui um cockatil de ideias que arrancam sob o mote teatral de “Lady Of The Night”, um tema-título na linha de uma certa canção ligeira europeia que então passava pela Eurovisão mas que tinha estrela maior da época no grego Demis Roussos (a quem poderia ter sido entregue, de resto, a canção que encerra o alinhamento deste álbum). Não falta a country, visitada, também em modo light, em “Domino” ou, com travo mais elétrico, em “Born To Die”. A escola entretanto feita nos musicais ajusta-se que nem uma luva a “Friends” ou a “Little Miss Feet”. O alinhamento inclui ainda um momento mais próximo das matrizes da canção pop/rock em “Wounded” antes de rumar a um final com carga mais épica no mais tranquilo “Let’s Work Together Now” ou, já em território dos hinos pop, em “Sing Along (Sad Song)”.

Do alinhamento fica clara a versatilidade vocal de Donna Summer, assim como uma capacidade de adaptação futura a vários caminhos possíveis. Este mapear de possibilidades, de resto, parece ser na verdade a verdadeira alma de um disco que, de tão disperso nas referências, trilhos e soluções plásticas, traduz mais o que parece uma rede de ensaios do que propriamente um corpo coeso (algo que frequentemente associamos à ideia do álbum). “The Hostage”, apesar da sua dimensão narrativa mais próxima do teatro musical, acabaria por ser a pista mais próxima do que estava para vir. Coube todavia ao álbum seguinte, “Love To Love You Baby” (1975) o apontar da luz ao fundo do túnel pelos caminhos do então emergente disco sound… E daí até “I Feel Love” (1977) foi (quase) um pulinho.

Texto de Nuno Galopim