Depois do Debate das Rádios, Natália Carvalho moderou o segundo debate presidencial na Antena 1, reunindo três dos onze candidatos à Presidência da República, que desafiam, cada um à sua maneira, o modo como o poder se apresenta.
Os candidatos presidenciais André Pestana, Humberto Correia e Manuel João Vieira estiveram esta segunda-feira em debate na Antena 1. Os portugueses elegem o próximo chefe de Estado já no próximo dia 18 de janeiro.
André Pestana foi o primeiro a intervir, frisando que quer “representar uma esquerda claramente diferente, mais democrática”.
“Quem me conhece sabe que eu sou claramente de esquerda, só que não me quero confundir com a esquerda que a maioria das pessoas associa, seja a esquerda do antigo bloco de leste, de regimes ditatoriais, seja a esquerda associada a governos do Partido Socialista”, explicou.
Questionado sobre o que seria diferente em Portugal se fosse presidente, respondeu que a sua candidatura é “a única que defende claramente acabar, por exemplo, com os subsídios milionários aos partidos políticos”.
O candidato exemplificou com o Chega, PS e PSD, que “todos os anos vão receber mais de cinco milhões de euros, sem contar com os milhões que já recebem para as suas campanhas eleitorais megalómanos” e sem contar com “salários e ajudas de custo”.
André Pestana insistiu que acabaria com “este país a duas velocidades, de ter cidadãos de primeira e de segunda”, e assegurou que “há condições e há dinheiro para que todos os que trabalham em Portugal possam trabalhar e viver em dignidade”.
Humberto Correia respondeu, por sua vez, que é “a pobreza de muitos portugueses” que o leva a candidatar-se a Belém. “A diferença que eu posso fazer é que eu conheço talvez melhor os problemas do povo português”, considerou.
“Porque eu estou na rua e estou em contacto com eles há mais de 20 anos”, afirmou o independente. “Comunico com as pessoas todos os dias, e o maior problema do povo português é a habitação. A minha missão é resolver o problema da habitação”.
O único caminho é, para este candidato, aumentar a habitação social. “O Estado tem de construir e alugar a preço acessível”, explicou, passando a defender que as rendas sejam proporcionais aos metros quadrados das casas.
Manuel João Vieira afirmou que “o país precisa de mais espontaneidade” e vincou que a sua inexperiência “é a mais alta qualificação para governar”.
“Acordo para as coisas com um olhar diferente cada dia. Acho que quando me demitisse teríamos uma verdadeira democracia, em que o presidente da Assembleia da República assumiria as minhas funções, conforme está estabelecido na legislação”, afirmou.
“É preciso uma nova atitude em relação ao país. O interior do país está a ser despovoado. Nós temos uma proposta que é a construção de Vieiropolis, uma construção no centro geodésico do país, que é uma cidade para um milhão de pessoas. Temos de deslocar a população que está toda no litoral”.