Nasceu no Porto mas costuma dizer que é de chãos outros por que se apaixonou.
“Chão Verde de Pássaros Escritos”, documentário já nos cinemas, é a prova mais recente da sua caminhada.
Cruzando literatura e resistência. E a liberdade de José Luandino Vieira.
Saberemos que ventos a levaram até ao Minho e a Vila Nova de Cerveira, último chão do escritor luso-angolano, e como sopraram os ventos a favor desta viagem que o faz regressar ao passado, e ao campo do Tarrafal.
O percurso do escritor que lutou pela independência de Angola e cumpriu 12 anos de prisão efetiva, entre 1964 e 1972, é seguido cronologicamente pela autora, com imagens de arquivo e alguns excertos lidos a partir das cartas escritas à mulher durante a prisão “tudo tão lento, tão doloroso, tão igual”. Mas é nas pausas e nos silêncios do presente, nos pequenos gestos do quotidiano, nas memórias desse tempo “apaziguado”, que reside a força deste homem a quem a privação da liberdade nunca impediu que o pensamento “voasse”.
A jornalista e investigadora, que se cansou das redações e que a partir da literatura encontrou a sua outra forma de contar histórias, dá-nos asas para pensar.
Sandra Inês Cruz é “Pessoa para Isso”.