A diretora do escritório em Londres do Fundo da População das Nações Unidas afirma que um dos grandes sucessos da Humanidade, nos últimos 30 anos, foi a redução da mortalidade materna em 40%. A vida das mulheres chegou ao centro das políticas públicas. O problema é que este progresso estancou. Nos últimos 6/7 anos não houve redução e, por isso, todos os dias continuam a morrer 760 mulheres na gravidez, no parto ou pós-parto.
Mónica Ferro, que se considera uma “otimista informada”, está preocupada com a pobreza estrutural e com a falta de esperança dos jovens: “Estamos a viver um momento em que os jovens questionam os próprios processos democráticos porque não têm respostas”. Compreende que os Estados definam as suas prioridades orçamentais, incluindo na Defesa, mas lembra que “a cooperação para o desenvolvimento estabiliza países, garante a paz, além da dignidade das pessoas”.
A funcionária da ONU realça a importância das políticas públicas, seja na igualdade de género ou na educação. Valoriza a empatia e sente que ela própria é “o resultado do elevador social português”. Por isso, diz que no seu trabalho tem beneficiado por ser portuguesa: Portugal é visto como ponte, como “facilitador honesto”.
Conversa com António José Teixeira, no podcast da RTP Antena 1 “Ponto de Interrogação”.