“O mito de que sem Orçamento de Estado há eleições antecipadas está ultrapassado”, garante o líder do PCP dizendo que não teme eleições antecipadas caso o Orçamento do Estado para 2027 seja chumbado no Parlamento.
Em entrevista ao podcast da RTP Antena 1 “Política com Assinatura”, o Secretário-Geral do PCP assegura que o voto do partido não está ainda decidido. Ainda assim, Paulo Raimundo afirma que “se as eleições antecipadas existirem para interromper este caminho desastroso do ponto de vista político, então até podem ser bem-vindas. Se for para ser um compasso de espera para agravar este caminho desastroso, então para pior já basta assim”.
No entender de Raimundo “esse mito de que não há orçamento, então há eleições antecipadas, está ultrapassado”.
Assegura que o voto do PCP não está ainda decidido, mas deixa ficar o aviso: “nós somos sensíveis a muita coisa, agora temos zero sensibilidade para a pressão e para a chantagem. E, portanto, não nos peçam males menores.”
“Não temos nenhum fetiche em votar contra orçamentos da AD, assim como não tivemos nenhum fetiche em votar contra os orçamentos do PS. A questão não é de onde vêm, é o que é que vem.”
Acerca da Prestação Social Única (PSU) Paulo Raimundo mostra-se muito crítico da forma como Luís Montenegro geriu a matéria.
“O Governo, à má-fila, introduziu esta discussão no meio da discussão do pacote laboral, procurando criar uma clivagem, como tem feito sempre, e criar um desvio de atenções sobre o pacote laboral”, acusa.
O PCP até admite aceitar uma prestação única, no entanto o líder comunista vai dizendo que “a questão não é a forma, a questão é o conteúdo e porque para Paulo Raimundo o que está em causa é “uma contenção de custos” que o PCP não aceita.
Admite discutir a medida sem nunca revelar se votará a favor caso os montantes atuais não sejam alterados.
“A forma como a medida vem, os argumentos que se encontram para a medida e a forma como ela foi golpeada na Assembleia da República (com autorizações legislativas, com descidas à especialidade sem votação na generalidade e por aí fora) não indicia nada de positivo no seu final. Vamos ver, vamos ver!”, conclui.