No podcast da RTP Antena 1 “Política com Assinatura”, o deputado socialista considera que agora é o tempo para o partido se concentrar em fiscalizar a execução do orçamento que está em curso. O orçamento de 2027 deve ser visto depois do dia 10 de outubro.
Questionado sobre se há alguma circunstância em que o PS deva votar contra o Orçamento [mesmo sabendo que depois pode provocar eleições], Mendonça Mendes responde que “profissões de fé muito definitivas são erradas em tudo”: “Na vida tenho um princípio que é: nunca e sempre são duas palavras que se usam com muita, muita, muita parcimónia. Portanto eu acho que o PS não se deve colocar nessa posição e acho que o Secretário-Geral do PS não está a colocar o PS nessa situação. Se o Governo quiser ter o instrumento aprovado é o Governo que tem a obrigação de apresentá-lo em termos que possa no Parlamento ser viabilizado”.
“Há uma diabolização do Bloco Central”
António Mendonça Mendes lembra que Portugal é um caso único na Europa em que não há composição de coligações governamentais e recorda a experiência de governo de Bloco Central entre 1983 e 1985: “A única vez que nós tivemos Bloco Central em Portugal foi mesmo o Governo que salvou o país de uma situação muito difícil do ponto de vista financeiro. Esse governo foi o governo mais reformista que nós tivemos”, defende. Questionado sobre o que impede hoje a existência de um bloco central, Mendonça Mendes diz que “Há uma diabolização do compromisso. Há uma ideia de que, se eu me comprometer, eu estou a anular-me”. Para o deputado socialista, “há uma diabolização do bloco central”.