A ganância à volta da herança de Pinto da Costa e Marco Paulo

Quem morre e deixa herança já sabe que tem um problema. A ganância faz parte da nossa condição, mas há quem abuse. Sim, também se vai falar de Pinto da Costa, Marco Paulo e de bombeiros.

A ganância à volta da herança de Pinto da Costa e Marco Paulo

Quem morre e deixa herança já sabe que tem um problema. A ganância faz parte da nossa condição, mas há quem abuse. Sim, também se vai falar de Pinto da Costa, Marco Paulo e de bombeiros.

1.
Pior do que ter dinheiro é não o ter.

Concordamos com a premissa embora não seja bem assim em muitos casos.

É que quando se vai desta para melhor e a massa tem de ser distribuída. Concordamos que a pessoa morta já não se chateia, mas é doloroso ver todos os dias famílias a desmoronarem-se, irmãos a cortarem relações e gente a fazer trinta por uma linha para arrebanhar o máximo possível.

Há dezenas de pessoas presas por matarem e mandarem matar, por atraiçoarem, por falsificarem assinaturas.

Há também gritos todas as semanas nas salas de espera dos tribunais, é um clássico atacarem-se noras, genros, cunhados e há juízes que só aguentam sessões com calmantes no bucho.

2.

Aos advogados especializados em partilhas nunca falta trabalho – é um bocadinho como os cangalheiros…

… uns tratam da passagem para o outro mundo os outros da passagem do que neste ficou.

Deprimente, mas nada a fazer.

É a nossa condição humana, sem dúvida a nossa maldição.

Deixar o que se tem aos que ficam une milionários a remediados.

Une os que deixam milhões aos que deixam tostões. Basta deixar alguma coisa, um curral, uma língua de terra por lavrar ou 2000 euros para que haja gente à porta com o dedinho espetado e a berrar por justiça.

3.

Jorge Nuno Pinto da Costa escreveu sobre o dia do seu funeral, mas não nos avisou da partilha da herança. Dos filhos, da mulher, dos quadros, das casas e das guerras que agora nada têm a ver com o FC. Porto.

Marco Paulo também foi embora e não estávamos preparados para o incêndio que nem um bombeiro especializado consegue apagar.

Por mais talento que tenha, acrescento.

O bombeiro Dudu, o afilhado, o pai do afilhado, os irmãos que se indignaram por nada ter sobejado, o dinheiro que era uma fortuna, mas que agora já não é, as propriedades, o ataque do fisco e o que ainda não sabemos.

“Mais e Mais Amor/Que Amor Tão Louco”, cantava Marco.

E cantava bem.

Que amor tão louco o destes herdeiros.

Ricos e pobres.

Remediados e desgraçados.

Só a mim é que nada me toca.

Talvez numa próxima vida.

Vou rezar por isso.
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