A mãe que não sabia amamentar

Uma história bonita com vários protagonistas. Uma mãe que não sabia amamentar, vinte mulheres que a ensinaram e um filho que nasceu de uma relação com o mítico chefe de um bando.

A mãe que não sabia amamentar

Uma história bonita com vários protagonistas. Uma mãe que não sabia amamentar, vinte mulheres que a ensinaram e um filho que nasceu de uma relação com o mítico chefe de um bando.

1.

A história tem já algum tempo, mas emocionou-me quando a soube.

Esqueci-me e foi-se a oportunidade de a contar.

Voltei a ela ao ver o pequeno Sibu Junior, feliz e enérgico, a brincar numa “creche” na companhia de outros como ele.

2.

O pai chamava-se Sibu e era um verdadeiro guru entre os seus, um líder incontestado.

Acabou por não conhecer o filho por ter morrido de velho uns meses antes do parto.

A mãe, a jovem Mujur, de 19 anos, deixara-se fascinar pelo vozeirão do velho Sibu num ritual de acasalamento a que poucas resistiam.

Mujur foi na cantiga e dessa tarde de amor louco e breve nasceu o “Postal do Dia” de hoje.

3.

Esqueci-me de um detalhe talvez importante…

…estou a falar de orangotangos, não de pessoas.

Mujur ficou grávida de Sibu, o líder entre a sua espécie no Zoo de Dublin.

Se a gravidez de um orangotango é uma preciosidade, mais o é quando o pai é o mais inteligente do bando.

Entusiasmaram-se cientistas e tratadores, mas havia um problema: a mãe perdera já dois bebés por os ter rejeitado – Mujur abandonou-os à sorte sem os amamentar…

…acabaram por, infelizmente, morrer.

4.

Foi então que alguém teve uma ideia: porque não abrir inscrições para que mulheres que estivessem a amamentar o pudessem fazer à frente da jovem mãe orangotango?

Vinte mulheres aceitaram o desafio.

E Mujur passou os últimos dias de gravidez a observar cada movimento, cada choro, cada bolsar, cada arroto humano.

5.

Os orangotangos aprendem por imitação e existiu a legítima expetativa de que tudo desta vez correria pelo melhor.

Não correu, mas foi muito bonito.

Mujur pegou no seu bebé logo após o nascimento.

Receou-se o pior, que se passasse da cabeça e o estraçalha-se como aos outros.

Não, não o fez.

Embalou-o, deu-lhe festas e pegou-o ao colo como viu fazer.

Só não o conseguiu amamentar.

Sibu Júnior foi alimentado de biberão e transferido para um lugar especializado em jovens orangotangos abandonados pelas mães.

Vi-o feliz e contente.

E voltei à memória perdida das mães a amamentar os seus pequenos lobos famintos à frente dos olhos de um orangotango.

Mais um aninho e já estará de volta ao Zoo onde conhecerá a mãe e lhe falarão do pai, o mais afetuoso e inteligente “macaco” que alguma vez passou por toda a Irlanda.

Que o pequeno siga o seu exemplo.

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