Zé Pedro é mais o jardim do que a estátua

No dia em que passaram sete anos pela sua morte, a Junta de Freguesia dos Olivais inaugurou uma estátua de Zé Pedro e deu o seu nome a um jardim. O "Postal do Dia" regressa à maior estrela do rock português.

Zé Pedro é mais o jardim do que a estátua

No dia em que passaram sete anos pela sua morte, a Junta de Freguesia dos Olivais inaugurou uma estátua de Zé Pedro e deu o seu nome a um jardim. O "Postal do Dia" regressa à maior estrela do rock português.

1.

No dia em que passaram sete anos pela sua partida, a Junta de Freguesia dos Olivais inaugurou uma estátua de Zé Pedro e deu ao jardim o nome do guitarrista e fundador dos Xutos e Pontapés.

Já se disse quase tudo sobre ele.

Escreveram-se centenas de textos sobre a sua generosidade – a forma incrível como recebia toda a gente, todos os miúdos que lhe traziam maquetes para que ouvisse, comentasse ou intercedesse.

Escreveram-se inúmeros artigos que o definiram como o único verdadeiro animal de palco português – a maneira como tocava, como olhava e se mexia no palco.

Escreveram-se milhares de carateres que descreveram o seu luminoso sorriso – o modo como chamava para si, como se dava às pessoas, como delas precisava, como se nunca tivesse deixado de ser um miúdo eternamente à procura de salvação.

Escreveram-se muitas reportagens em que Zé Pedro assumiu frontalmente a sua dependência de droga e a sua corajosa fuga ao inferno – e tantos foram os miúdos que ele salvou do abismo,

pelo seu exemplo, por ser quem era, por acreditarem no que ele dizia.

2.

Morreu aos 61 anos.

Em casa.

Com a mão do amor da sua vida na sua mão – a Cristina e o Zé Pedro viveram um grande amor e morreu com as contas rigorosamente saldadas.

Sentiu-se um privilegiado.

Agradecido à vida.

Apaziguado.

É bem justo que tenha passado a ser nome de jardim no bairro da sua juventude.

Mais do que justo passar a estar ligado às crianças que brincam nos baloiços, às árvores e flores, aos bancos onde podemos descansar um pouco na brisa de um qualquer fim de tarde.

3.

Passaram sete anos.

Parece ter sido ontem que ouvi a notícia.

Uma notícia paradoxal.

Zé Pedro tinha morrido.

Mas como pode morrer alguém que sorria assim?

Como pôde a sombra ganhar à luz?

Como pôde a morte ter chegado tão depressa quando ele tanto parecia aliado à vida?

As perguntas são ingénuas, como o Zé Pedro que andava por aqui a dizer-nos que não era o “único a olhar o céu”.

Não era, mas era.

Único, absolutamente único.

Irrepetível.

Luminoso.

Um jardim com árvores, flores e baloiços.

Texto e programa de Luís Osório

Ouça o “Postal do Dia” na Antena 1, de segunda a sexta-feira, pelas 18h50. Disponível posteriormente em Spotify, Apple Podcasts, YouTube e RTP Play.