Os próximos três anos vão ser marcados por algumas mudanças no futebol português.
A maior de todas será, a partir da temporada 28/29, com a venda centralizada dos direitos audiovisuais das ligas profissionais.
Aliás, dentro de mais ou menos dois meses e meio, até ao final de junho, os clubes terão de entregar à Autoridade da Concorrência o modelo de comercialização.
É um processo que está em andamento.
Um ano antes, na temporada de 27/28, o futebol português passará a ter, outra vez, três equipas na Liga dos Campeões, sendo que duas delas vão ter acesso direto à chamada fase regular. A isto juntam-se mais duas equipas na Liga Europa e uma na Liga Conferência.
Se tudo correr bem, poderemos voltar a ter seis equipas nas competições europeias.
Também nessa mesma temporada pode vir a entrar em vigor o novo modelo da Taça da Liga.
Criada em 2007/2008, vai para a edição número 20 e já teve vários formatos.
No princípio entravam todas as equipas das competições profissionais. O número foi sendo reduzido até se chegar ao atual formato em que apenas entram em ação oito formações: os seis primeiros da Liga Portugal, da temporada anterior, e as duas equipas da Liga 2 que sobem de divisão.
Daqui a duas temporadas vamos ter uma espécie de regresso ao passado, mas com várias nuances que me parecem muito positivas.
Em primeiro lugar, a Taça da Liga vai ter a presença de todas as equipas das competições profissionais, à exceção das equipas B.
Era uma ambição da maioria que ficava de fora e que, por vezes, não tinha competição durante semanas. Agora vai ter!
A prova vai passar a ter três fases.
Quem estiver nas competições europeias só vai entrar nos quartos de final, realizados a uma mão, tal como acontece atualmente.
O modelo da final a quarto, com meias-finais e final, a realizar num fim de semana e num único jogo, um sucesso, também se mantém.
Agora as novidades: volta a haver uma primeira fase, a realizar antes do começo dos campeonatos, no início de agosto, tal como aconteceu nos primórdios da Taça da Liga, mas com uma novidade bem interessante.
Será apenas um jogo, realizado a duas mãos, onde haverá uma componente regional e histórica muito forte.
Por exemplo, um duelo entre Nacional e Marítimo, ou um Farense/Portimonense ou Gil Vicente/Vitória de Guimarães, isto para falarmos apenas de equipas que estão, neste momento, nas competições profissionais.
Depois disto, haverá uma segunda fase, em modelo de liga, com duas zonas – o mais natural será uma a norte
e outra a sul – para se encontrar quem vai completar os quartos de final.
Se tivermos seis formações nas competições europeias serão os vencedores de cada um dessas séries. Se isso não acontecer serão apuradas as equipas necessárias para completar essa fase da competição.
Os jogos vão ser realizados nas paragens das seleções e também nas semanas das competições europeias.
Este modelo que já foi conversado com os clubes por Reinaldo Teixeira, o presidente da Liga Portugal, aquando da última final da Taça da Liga, em Leiria, vai ser apresentado numa próxima Assembleia Geral para aprovação.
Trata-se de um formato interessante e que me parece deixar toda a gente satisfeita.
Quem vai às competições europeias porque que não vai ter de fazer nem mais um jogo e todos os outros porque precisam de ter mais competição.
Há ainda um pormenor importante: quanto mais fases passarem, mais dinheiro vão ganhar.
Como uma vez me explicou um velho e histórico treinador de um clube português, daqueles do meio da tabela para baixo, que depois de serem eliminados da Taça de Portugal, se limitam a jogar semana a semana: estou tão farto deste campeonato dos treinos que não interessa a ninguém!
A partir de agora sempre pode vir a ter mais alguma competição para se entreter.