1.
Como podemos provar que amamos alguém?
Pergunta ridícula, o amor verdadeiro, quando se gosta mesmo, não necessita de provas…
…vê-se logo, não é?
Como nos comportamos perante o outro.
Como o olhamos quando o olhamos.
Como estamos dispostos a fazer o que for preciso, a ir ver os aviões e a ficar de boca aberta com o milagre de descolarem e se manterem no ar.
2.
És bem capaz de estar a dizer-me…
… ó Luís, isso não é amor, isso é paixão, isso são as borboletas, um mal-estar que é bem-estar, uma angústia de estar com a pessoa, de a querer, o medo de não estar à altura, essas coisas que também sabes.
Que raio de postal este em tempo eleitoral.
Talvez seja essa a razão para desejar, cada vez mais, boas pessoas na minha vida – no trabalho, nas amizades, nos amores e também na política.
Pessoas que gostem de pessoas, que as abracem, que acreditem, que vivam a paixão.
3.
Atrevo-me à minha definição preferida entre todas as que inventei no meu tédio.
Amar é quando o nosso coração acelera e acalma ao mesmo tempo quando o vemos ou a vemos.
Acho que é isso, não é possível o amor sem que tenha existido paixão.
Mas é possível a paixão sem que alguma vez exista amor.
O amor é mais completo, é outra coisa.
É vontade de casa, de comprar mobílias, de ir ao cinema, de adormecer de mão dada, de ter filhos em conjunto, de partilhar mesmo o que não partilhamos, de achar sempre que é com aquela pessoa.
É encontrar alguém que esteja ao nosso lado com os seus próprios sonhos.
É respeitar o percurso, o tentar não impor uma superioridade, um benefício, um desequilíbrio.
E adormecermos de mão dada com cada um a poder sonhar o seu próprio sonho.
É respeitar tudo o que possa acontecer.
4.
Olha, aqui para nós que ninguém nos ouve.
Se não cuidas da pessoa que tens ao lado, há sempre quem a saiba, ou quem o saiba, amar melhor.
Quando amamos ou estamos apaixonados acreditamos que os nossos beijos são os melhores do mundo, o que é verdade porque o sentimos.
Mas quando afrouxamos, quando facilitamos, há milhões de pessoas que seriam capazes de beijar como nós antigamente beijávamos… ou ainda melhor.
Vai por mim, acredita.
Bons sonhos.
E acredita que é pelo amor que isto vai, que os maus pensamentos, a violência e o ressentimento, envelhecem a pele e são horríveis, fazem de nós pessoas horríveis.
Até amanhã.
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