Gente para sonhar alto

Roberto Martinez já anunciou os 27 convocados para o mundial das Américas. As feras estão lá todas e as ausências e as novidades não me surpreenderam. Agora é fazer o que nunca foi feito, porque temos talento para sonhar alto.

Gente para sonhar alto

Roberto Martinez já anunciou os 27 convocados para o mundial das Américas. As feras estão lá todas e as ausências e as novidades não me surpreenderam. Agora é fazer o que nunca foi feito, porque temos talento para sonhar alto.

Aí estão os 27 convocados de Roberto Martinez para o mundial das Américas.

Dos 26 jogadores que jogaram os seis jogos da fase de apuramento para esta fase final, ficaram de fora da convocatória apenas cinco: os defesas António Silva e Nuno Tavares, o médio João Palhinha e os avançados Carlos Forbs e Pedro Gonçalves.

Tudo gente que teve muito pouca utilização. Por exemplo, Palhinha, atualmente no Tottenham jogou 50 minutos em três jogos, foi o mais utilizado. Nuno Tavares, da Lázio, fez 35 minutos em duas partidas, enquanto Forbs, do Club Brugge, jogou 34 minutos num único desafio. O sportinguista Pedro Gonçalves ficou-se por 23 minutos de utilização, num único jogo, e o benfiquista António Silva não jogou mais de 3 minutos, também numa única partida.

Conhecedores do pensamento do selecionador nacional não espanta que tenham ficado fora do Campeonato do Mundo.

Assim como também não é nenhuma surpresa que as novidades da convocatória tenham aproveitado a digressão ao México e ao Canadá, em março, para convencerem Roberto Martinez.

Ricardo Velho, a jogar na Turquia, com apenas uma internacionalização, jogou 5 minutos no jogo de Atlanta, com os Estados Unidos, vai como quarto guarda-redes, para ajudar nos treinos.

Tomás Araújo, do Benfica, com 3 internacionalizações, duas das quais nesta janela de março – fez 45 minutos frente ao México e aos Estados Unidos – será o quarto defesa central.

Samu, do Maiorca, com 4 internacionalizações, duas das quais nos jogos de março, será um dos médios defensivos da equipa.

Por fim, Gonçalo Guedes, da Real Sociedad, com 33 jogos por Portugal, é o mais experiente entre as novidades, jogou 45 minutos na Cidade do México, no regresso à seleção onde não estava há quatro anos. Vai ser o terceiro avançado da equipa, até porque infelizmente pelas razões conhecidas não há Diogo Jota.

Também aqui, para quem já conhece o pensamento e as rotinas de Roberto Martinez não há nenhuma novidade totalmente surpreendente.

Podemos discutir se Ricardo Horta, por exemplo, que tem 31 anos de idade e fez uma excelente temporada ao serviço do Sporting de Braga na qual fez 53 jogos, marcou 21 golos e fez 11 assistências. Ou, mesmo, Rodrigo Mora que aos 19 anos é um talento puro e que no FCPorto, campeão nacional, participou em 44 jogos, marcou 5 golos e fez 3 assistências, não mereciam estar na lista.

O selecionador nacional, questionado sobre este assunto, defendeu-se quando explicou que não há lugar para todos e que temos de fazer escolhas. Nem mais!

Gosto de me colocar nos sapatos dos outros e o exercício que fiz foi o seguinte: quem é que eu tirava para entrar um desses jogadores?

Não cheguei a nenhuma conclusão, porque, confesso, a minha lista não seria muito diferente da que foi apresentada à hora do almoço na Cidade do Futebol.

A seleção portuguesa tem alguns dos melhores jogadores do planeta futebol e esses estão lá todos. Não me parece que falte alguém.

Diogo Costa é um dos grandes guarda-redes do futebol europeu.

Dos cinco laterais convocados, pelo menos dois, Nuno Mendes e João Cancelo, estão entre os melhores do mundo.

O mesmo acontece num meio-campo que tem Bruno Fernandes, João Neves, Vitinha e Bernardo Silva.

No ataque há de tudo, velocidade, talento, faro pelo golo e uma instituição chamada Cristiano Ronaldo.

A média de idades dos 27 convocados é de pouco mais de 27 anos, ou seja, é uma equipa muito madura e vencedora.

Roberto Martinez começou por parafrasear Pedro Abrunhosa ao dizer que estamos aqui para fazer o que ainda não foi feito.

Não sei se vamos ser campeões do mundo, é cedo para o dizer, mas que Portugal tem, ao seu serviço, uma superequipa lá isso tem. E que tudo aquilo que não seja chegar à fase decisiva da prova é uma desilusão, também me parece.