1.
Quando eu era só um bocadinho mais novo, há uns trinta anos, Luís Pereira de Sousa era uma estrela da televisão.
Foi um dos primeiros a apresentar um programa da manhã…
…uma Praça da Alegria antes da Praça da Alegria…
…foi um dos primeiros a fazer programas para os mais velhos ou as donas de casa.
Tinha um bigode que lhe dava pinta.
Era baixo, mas não se importava com isso…
…tenho ideia de que apresentou um programa com Ana Maria Lucas que, ao tempo, era a mulher mais bonita do país, a musa dos intelectuais, a nossa Jane Birkin, a primeira e última das misses portuguesas.
E alta, muito alta.
O que, aparentemente, nunca o perturbou.
2.
Mas Luís Pereira de Sousa não se limitava a fazer programas leves.
Andava de mota.
Desafiava os oceanos num barco à vela.
Era louco e um pouco indomável.
Depois do 25 de Abril pôs Luís Pacheco num estúdio de rádio e foi o primeiro jornalista a ser condenado por violação da liberdade de imprensa – uma injustiça irónica e que fica para a história, para a sua e para a do país.
3.
Luís Pereira de Sousa é um ícone esquecido.
Mas está vivo.
O filho de uma professora primária de Lamego e de um algarvio oficial das finanças, o homem que inventou um dos slogans eternos da publicidade:
…“Com Código Postal é meio caminho andado”.
O que nasceu no primeiro dia do ano de 1941, está vivo.
4.
Juram-me que mantém o bigode, que deixou crescer a barba, que mudou a sua visão do mundo depois de um acidente que o deixou à morte, mas que está para as curvas, numa mota imaginária de alta cilindrada e a imaginar o próximo programa de televisão ou o regresso ao jornalismo e à reportagem.
Que nestas férias, que neste calor, que nos mergulhos, possamos relembrar quem esquecemos.
Não há futuro sem memória.
Um abraço, Luís.
Grande mestre.
Ouça o “Postal do Dia” em Apple Podcasts, Spotify e RTP Play.