Dani poderia ter sido o melhor do mundo, mas sabes mesmo a sua história?

Dani deixou de jogar futebol aos 27 anos. Poderia ter sido o melhor jogador do mundo, mas preferiu viver a vida. Só que há muito mais do que isso. Conheces o tamanho do seu coração?

Dani poderia ter sido o melhor do mundo, mas sabes mesmo a sua história?

Dani deixou de jogar futebol aos 27 anos. Poderia ter sido o melhor jogador do mundo, mas preferiu viver a vida. Só que há muito mais do que isso. Conheces o tamanho do seu coração?

1.

Dani poderia ter sido o melhor jogador de futebol do mundo.

Tinha tudo.

Uma técnica prodigiosa, capacidade física, inteligência e imagem – o que numa indústria como o futebol tem muito peso.

Quando chegava a um clube e se iniciava uma época, as camisolas com o seu nome esgotavam-se.

Era ensurdecedor quando, depois de um jogo ou de um treino, saía dos balneários. No Sporting, no Ajax ou no Atlético de Madrid, perseguiam-no, fotografavam-no, choravam como se ele fosse um “Beatle” na década de 1960.

2.

Os fotógrafos perseguiam-no para todo o lado.

E Dani fazia-lhes a vontade.

Era caprichoso, acumulava casos amorosos como se mudasse de camisa, alimentava polémicas e noitadas, chegava aos treinos cansado e os treinadores, quase todos, a meio das épocas, e por vezes no princípio das épocas, desistiam da utopia de o ver cumprir o destino que Deus lhe oferecera.

Dani não desejava ser jogador.

Dani desejava ser um playboy, chegou a proclamar Louis Van Gaal, mítico treinador holandês.

3.

Mas Dani tinha uma outra coisa.

Uma outra coisa que vale tanto como uma Bola de Ouro.

Um enormíssimo coração.

E isso é menos assinalado quando dele se fala, o que é injusto para um homem que conseguiu provar que o amor pode ser mais forte do que qualquer outra coisa.

Mais forte do que o dinheiro.

Do que o mediatismo.

Do que o sucesso.

4.

Dani tinha 27 anos quando Maria Luísa foi diagnosticada com um cancro na mama.

Jogava no Atlético de Madrid, ganhava um balúrdio, mas não hesitou quando viu a mãe sofrer nas primeiras quimioterapias.

Havia muito em jogo, dinheiro perdido por empresários desesperados, pelo clube que investira, por intermediários de publicidade, de agências de modelos, de empresas de comunicação e de eventos.

Havia camisolas para vender, massa para ganhar, como era possível que ele ousasse sequer pensar nessa hipótese?

5.

As pressões e ameaças foram muitas.

Mas fez mesmo o que ameaçara fazer.

Dani deixou de jogar futebol aos 27 anos.

Voltou para Lisboa para que a mãe, nos momentos que lhe restavam, o visse sempre, o abraçasse sempre.

Desapareceu das festas.

Desapareceu dos holofotes.

Nunca mais jogou futebol e a mãe, genuinamente feliz, acabou por viver mais onze anos.

A mãe e o pai, professor de Filosofia, que a amava profundamente.

Nessa longa década de sofrimento disse ao seu príncipe que podia ir, que podia aceitar os convites, que não era tarde, que as pessoas o queriam aplaudir, que ele ainda iria provar ser o mais especial.

Só que Dani decidira e estava decidido.

Devia ficar perto da mãe, o tempo que fosse preciso.

6.

Ficou até ao fim.

Maria Luísa era médica.

Lidou toda a sua vida com o sofrimento dos outros, com o abandono, com o medo – por isso, mais do que a maioria das pessoas, valorizou o amor do seu filho.

Mas a história ainda não acabou.

Uns meses antes da morte, Dani ofereceu à mãe uma última prenda: o nascimento da sua primeira neta.

Da sua primeira filha.

A que deu o nome de Maria Luísa.

Uma bebé que foi abraçada pela avó que pôde finalmente deixar-se ir.

A pequena Maria Luísa tem hoje 14 anos.

Não se lembra dos mimos da avó, mas talvez nela fale com a irmã Benedita, a mais nova.

As duas filhas de um pai que poderia ter sido o melhor jogador do mundo.

Mas o que interessa isso em comparação com a certeza de que o seu coração é gigante, do tamanho da mais alta montanha?

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