É uma primeira reação muito forte e musculada a todo um clima de tensão e violência, verbal, mas não só, que, de uma forma geral, tem vindo a afetar, nos últimos anos, a sociedade portuguesa e, por maioria de razão, o futebol em Portugal.
A Federação de Futebol anunciou, no início desta semana, um conjunto de propostas para aumentar as sanções disciplinares – penas e multas – já a partir da próxima temporada.
São 86 alterações nas quais há penalizações que crescem para o triplo do valor atual.
Essas alterações aos regulamentos abrangem seis capítulos.
As agressões e declarações ofensivas a elementos das equipas de arbitragem.
As declarações entre dirigentes desportivos.
A utilização da pirotecnia.
Os comportamentos discriminatórios dos adeptos.
O assédio sexual e moral e, por fim, as dívidas salariais.
Três exemplos:
Uma agressão a um árbitro que impeça a realização de um jogo é punida, atualmente, de 2 a 5 jogos à porta fechada. Com esta nova formulação esse castigo aumenta para de 4 a 8 jogos.
No caso de declarações de dirigentes que intimidem os árbitros há um aumento generalizado e substancial das multas que em alguns casos chega aos 650%. O mesmo é válido para o bate boca entre dirigentes desportivos.
Aumentam igualmente as sanções por assédio sexual por parte de dirigentes, treinadores e outros agentes desportivos e, no caso das dívidas salariais, introduz-se a possibilidade de serem retirados 2 a 5 pontos aos clubes infratores.
São propostas que vão entrar em vigor na próxima temporada nas competições organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol.
Apenas e só nestas e são muitas, como sabemos, desde logo com a Taça de Portugal à cabeça, mas ainda a Liga BPI do futebol feminino, Liga 3, Campeonato de Portugal e os campeonatos jovens, onde se tem vindo a verificar um enorme aumento da conflitualidade, não só dentro do relvado, como nas bancadas.
Não sendo eu, talvez por formação, e em tese, um apologista de um aumento desenfreado das penas, não posso deixar de saudar esta decisão federativa, porque como as coisas estão não podem continuar.
Este novo regulamento disciplinar vai mexer onde as pessoas e os clubes mais sentem: na carteira, porque há um aumento significativo das multas. É aqui que mais doi, principalmente a quem tem sempre muito poucos euros para gerir.
Se este regulamento que apenas se aplica às provas organizadas pela FPF, pode vir a ser adaptado, sem grande discussão, pelas associações distritais e também entrar em vigor rapidamente, isso já me parece pouco provável no futebol profissional, a menos que me engane redondamente.
É verdade que toda esta nova proposta foi construída num trabalho que envolveu também um conjunto de juristas da Liga Portugal, mas agora tudo isto terá de ser, por um lado adaptado ao futebol profissional e depois aprovado pelos clubes em Assembleia Geral e é aqui que a porca torce o rabo, porque não os estou a ver a aprovar penalizações desta dimensão.
Não estou a ver os clubes a aprovarem um novo regulamento disciplinar que aumente substancialmente as penas e as multas que eles próprios vão ter de pagar a seguir.
E mesmo que os clubes do futebol profissional me surpreendam e até aprovem um regulamento disciplinar mais penalizador veremos quantos deles vão mesmo cumprir as penas a que sejam condenados.
O recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto e para os tribunais administrativos que se banalizou vai-se multiplicar, como acontece atualmente.
A propósito disto tudo, espero que o FCPorto/Sporting da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal seja um excelente jogo dentro e fora do relvado. Que
os milhões que o vão seguir pela televisão e pela rádio se entretenham apenas com as habilidades dos jogadores.
Espero que não seja pedir muito.