Ainda há quem diga que a história não se repete.
O local foi o mesmo: Sevilha, Andaluzia, Espanha.
O estádio é que foi diferente: da primeira vez foi no Ramón Sánchez-Pizjuán.
Agora tudo se passou no estádio de La Cartuja.
Em agosto de 2010, o Sporting de Braga venceu o Sevilha por 4/3 e garantiu, pela primeira vez, a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões.
Quinze anos depois, os minhotos repetiram a dose, e, desta vez garantiram, pela segunda vez na história, a presença nas meias-finais da Liga Europa ao baterem o Bétis por 4/2.
Os treinadores são diferentes: era Domingos Paciência, agora é Carlos Vicens.
Os jogadores também: Lima, um brasileiro que jogou no Belenenses, Sporting de Braga e Benfica, marcou três golos nessa noite quente de 2010 que deram dimensão ao apuramento.
Ontem, foi Ricardo Horta, o capitão dos bracarenses, a consumar a reviravolta no marcador.
Imagino que na estrutura haja alguém que tenha vivido as duas noites à beira do Guadalquivir, mas há uma figura comum a estes dois feitos: António Salvador.
O presidente do Sporting Clube de Braga, 55 anos de idade, é o mais antigo líder de um clube da Liga Portugal em funções. Está no cargo há 23 anos. É ele o máximo denominador comum deste crescimento dos bracarenses.
Aqui há uns anos discutia-se muito qual era o quarto grande do futebol português. Se era o Boavista ou o Belenenses.
Parece-me que essa discussão está agora encerrada.
Por muito que custe a muita gente, parece-me evidente que é o Sporting de Braga, não só pelos resultados que tem vindo a fazer nas competições domésticas e nas provas internacionais, mas também por todo o investimento em infraestruturas, e igualmente em permitir que outras modalidades sejam competitivas e lutem por títulos. Por exemplo, o voleibol feminino garantiu, na quarta-feira, a presença na final do play-off.
Voltando ao jogo de Sevilha, com o Bétis, digo apenas o seguinte: que a noite de ontem que até nem começou nada bem – os minhotos estiveram a perder por 2/0 ainda antes da meia hora – seja replicada, na Alemanha, em Friburgo, junto à Floresta Negra, lá para o final deste mês, porque o destino, agora, tem mesmo de ser Istambul, no dia 20 de maio, o palco do jogo decisivo.
Já o FC Porto acabou por falhar o objectivo de estar na meia-final desta Liga Europa. Ninguém resiste a tantos erros individuais, nem a tantos golos falhados. Foi pena porque mantenho a minha opinião: os Dragões são melhores do que o Nottingham Forest, mas, para o provar, tinham de conseguir meter a bola na baliza adversária e não o conseguiram fazer.
Encerrado este capítulo, dos quartos de final das competições europeias, sobe a primeiro plano a Liga Portugal com a realização da jornada 30.
A cinco rondas do fim da prova e quando faltam discutir quinze pontos, todos os jogos são importantes, alguns mesmo, decisivos.
No domingo, ao final da tarde, há um desses desafios. O Sporting recebe, em Alvalade, o Benfica, naquela partida que pode resolver, em definitivo, a questão do segundo lugar e do apuramento para a Liga dos Campeões da próxima temporada.
Se os Leões vencerem, a questão fica encerrada.
Os campeões nacionais ainda têm um jogo em atraso com o Tondela. A diferença, entre ambos, pode chegar aos oito pontos.
Se as duas equipas empatarem, o assunto fica quase encerrado. A diferença pode chegar aos cinco pontos.
Se os encarnados vencerem, a luta pelo segundo lugar fica relançada, mas, mesmo assim, a vantagem pertence aos verde e brancos, se ganharem ao Tondela.
Sendo que neste último cenário, é a questão do título que pode ficar mais ou menos resolvida e para o lado do FC Porto.
É uma jornada a não perder!!!