O que fazer aos imigrantes?

Legislativas já despachadas, autárquicas a caminho e os últimos meses de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Um Presidente que mantém aberta e secreta uma agenda que ninguém conhece.

O que fazer aos imigrantes?

Legislativas já despachadas, autárquicas a caminho e os últimos meses de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Um Presidente que mantém aberta e secreta uma agenda que ninguém conhece.

1.

Nuno Brederode dos Santos foi um dos homens mais brilhantes que conheci.

Um dia, há muitos anos, disse-me uma coisa que nunca mais esqueci – Luís, és muito novo, mas pensa sempre duas vezes antes de te indignares. A indignação é um espasmo de inteligência.

A partir daquele momento tornei-me moderado.
Perdi grande parte da graça que tinha, mas não estou arrependido.

2.

Vivemos um tempo imprevisível.
Somam-se os indícios de que talvez estejamos a viver uma época de decadência.

É um admirável mundo novo sem novas ideias.
Uma cascata interminável de informação sem mediação e logo sem conhecimento.
Uma profusão de opiniões disponíveis sem que se fure o bloqueio do fanatismo e da intolerância.

Um mundo em que as pessoas moderadas e com bom-senso se tornaram revolucionárias.

3.

Os discursos e as opiniões sobre tudo e o seu contrário são hoje infantis ou infantilizadas.
Vê a maneira como se discutem a imigração e os imigrantes.

Uns, mais à direita, acham que todo o mal está ali. Que devemos proteger-nos da barbárie, que os imigrantes (sobretudo se tiverem uma cor de pele diferente da nossa e forem pobres) são por definição criminosos ou em vias de o ser.

Outros, mais à esquerda, acham que todo o bem está ali. Que devemos acolher toda a gente, que os imigrantes são por definição pessoas maravilhosas que o nosso país tem a obrigação de acolher.

4.

Há imigrantes bons e maus.
Há pessoas maravilhosas e diabólicas.
Há trabalhadores incansáveis e ladrões.
Há empreendedores e indigentes.

Há quem valha a pena e quem não valha a realíssima ponta de um corno.

Tal e qual os milhões de portugueses que procuraram condições noutros lugares.

5.

Por isso, ter bom senso passa hoje por encontrar o equilíbrio certo e com o mínimo de estados de alma…

… afastando a indignação de todas as equações.

Ser português é estar disponível para acolher.
Mas o tempo pede que os moderados façam a sua parte.
Pede que possamos encontrar fórmulas que respeitem o trigo afastando o joio.

Não podemos receber toda a gente.
Mas não podemos deixar de receber todos os que nos acrescentam.

Sem preconceitos.
Sem dogmas.
Sem merdas.

Há bons e maus.
Gente generosa e gente que só trará lenha para uma já incendiada fogueira.

Saibamos ser justos.
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